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Universidade Federal do Piauí UFPI<br />Centro de Ciências Humanas e Letras - CCHL<br />Programa de Pós-Graduação em Sociologia - PPGS<br /><br /><br />Metodologia da Pesquisa I <br />Nível: Mestrado Acadêmico <br />Carga Horária: 60 Créditos: 4 <br />Ministrante: Maria Sueli Rodrigues de Sousa<br /><br />Ementa: Ontologias, cosmovisões e epistemologias clássicas e contemporâneas. Ciência e cientificidade: unidade, diversidade e condições teóricas e históricas da produção científica e das ciências sociais, em particular. Epistemologia interna (critérios de cientificidade) epistemologia externa (estado da problemática do campo científico). Condições sociais da produção científica: ruptura, construção e constatação. Processos discursivos (dialética, fenomenologia, quantificação, método hipotético-dedutivo). Quadros de referência (positivismo, compreensão, funcionalismo, estruturalismo). Diversidade epistêmica na contemporaneidade: dissonâncias, ressonâncias e cruzamentos.<br />Apresentação:<br />Você está num curso de mestrado! Isso implica em que você se dispôs a produzir conhecimento a partir de um problema! E a pergunta que fazemos é porque produzir conhecimento? A resposta estará vinculada ao que é cultivado como o bem, o que faz bem, que é alimentado como um valor e ensinado em todas as dinâmicas de socialização! O presente curso visa discutir as razões para a produção de conhecimentos e o quanto que a forma de conhecer revela o objetivo da vida em sociedade cultivado. O tema do ser que se busca ser não é frequente em razão de este ser como essência ser narrado como único, portanto não cabendo questioná-lo, discuti-lo, mas apenas trabalhar para alcançar a essência referida. A ficção da essência foi se construindo no contato com aquelas vidas consideradas não portadoras da essência, o que forçou a pluralidade da narrativa, embora os plurais sempre serem considerados inferiores, subalternizados. O curso pretende discutir a não existência da essência, vê-la como ficção política para apropriação de territórios e exercício de poder sobre os considerados subalternizados pela negação de pluralidade de visões de mundo que foram apagadas, silenciadas para garantir o poder sobre os subalternizados por meio da naturalização da inferiorização e o apagamento do que torna a narrativa falseada, primeiro com argumentos religiosos que foram substituídos pelos científicos. A dinâmica fez surgir ontologia e epistemologia! A primeira, a pretensa essência, que é a visão de mundo que identifica a razão de viver e a segunda, a orientação para conhecer dentro dos objetivos pretendidos, portanto a primeira define a segunda. A razão da modernidade é a produção de riquezas por meio do trabalho com domínio da natureza e se especializa com a ciência e a técnica. E o que faz o ser humano dedicar toda a sua existência ao projeto de produção de riqueza? A subjetividade construída voltada para um tempo inexistente, o futuro, em busca de realizar um ser perfeito, especial, heroico que é informado desde antes do seu nascimento, que nunca se realiza. A dinâmica é repetida sem nenhuma reflexão sobre o tema. O máximo que se reflete é: porque não se cumprem as regras e o que fazer para que todas as pessoas sejam cumpridoras do regramento social. E vamos seguindo repetindo sempre o que nos indicaram. O que resta fazer? Atuar refletindo sobre os objetivos que seguimos e quem sabe cometer pequenas insurgências, desobedecer como forma de tornar a pluralidade que resultou como tal.<br /><br />Objetivo geral: <br />Analisar ontologia e epistemologia que orientam o projeto da modernidade em conjunto com as resistências ao projeto e a pluralidade produzida nas insurgências. <br />Objetivos específicos:<br />1. discutir sobre ontologias e epistemologias clássicas e contemporâneas <br />2. discorrer sobre produção de conhecimento pela racionalização<br /><br />Metodologia<br />A disciplina será desenvolvida em duas unidades: discussão teórica e projetos de pesquisa. A discussão teórica será desenvolvida em duas unidades: I - Ontologias e epistemologias clássicas e contemporâneas e II Produção de conhecimento pela racionalização. Cada uma das unidades será desenvolvida com aula expositiva dialogada a partir de textos que serão o ponto de partida para as discussões produzidas em sala como socialização orientada das leituras produzidas por discentes e docente. <br />Portanto, a metodologia contará com:<br />- Leitura e discussão de textos<br />- Aulas expositivas e dialogadas;<br />- Debates, Leituras e Discussão de textos.<br /> |
| Bibliografia:
| Bibliografia: <br />Unidade I Ontologias e epistemologias clássicas e contemporâneas<br />Texto 1 - HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito I e II. Petrópolis : Editora Vozes, 1992, p. 119-151; p. 221-263.<br />TEXTO 1 - FIENI, Vitor Hugo de Oliveira. Religião ne Fenomenologia do Espírito de Hegel. In: A noiva do Espírito: Natureza em Hegel. Porto Alegre : EDIPUCRS, 2010, pp.: 398-404.<br />TEXTO 1 UTZ, Konrad. O que é ciência? A resposta da fenomenologia do Espírito. In: A noiva do Espírito: Natureza em Hegel. Porto Alegre : EDIPUCRS, 2010, pp.:75-82.<br />Texto 2 DESCARTES, René. Discurso do método para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências. Tradução de Jacob Guinsburg e Bento Prado Jr. Notas de Gérard Lebrun. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 8-22 (2ª e 3ª partes).<br />Texto 3 - BATTISTI, César Augusto. O método de análise cartesiano e o seu fundamento. Revista Scientiæ Zudia, São Paulo, v. 8, n. 4, p. 571-96, 2010.<br />Texto 4 - KHUN, Thomas Samuel. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2006. <br />Texto 5 - QUIJANO, Aníbal. "Colonialidad y Modernidad-racionalidad". In: BONILLO, Heraclio (comp.). Los conquistados. Bogotá: Tercer Mundo Ediciones; FLACSO, 1992, pp. 437-449. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Disponível em: https://kupdf.com/download/an-iacute-bal-quijano-colonialidade-e-modernidade-racionalidade_58d19f11dc0d60f621c346b1_pdf Colonialidade e Modernidade/Racionalidade. Acesso em 14 de agosto de 2019.<br />Texto 6 VANSINA, J. A tradição oral e sua metodologia. In: História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África / editado por Joseph Ki -Zerbo. 2.ed. rev. Brasília : UNESCO, 2010, p. 139-152<br />Texto 7 - NASCIMENTO, Wanderson Flor do. Aproximações brasileiras às filosofias africanas: caminhos desde uma ontologia UBUNTU. Revista PROMETEUS - Ano 9 - Número 21 Edição Especial - Dezembro/2016, p. 231-245.<br />Texto 8 - ACOSTA, Alberto. O bem viver oportunidade de imaginar outros mundos. São Paulo: Editora Elefante, 2015, p. 23-87;<br />Texto 9 MIGNOLO, Walter D. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. In: Cadernos de Letras da UFF Dossiê: Literatura, língua e identidade, n. 34, p. 287-324, 2008;<br />Texto 10 - SANTIAGO, Castro-Gómez; GROSFOGUEL, Ramón. (Compils. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores/Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana/Instituto Pensar, 2007<br /><br />Unidade II Produção de conhecimento pela racionalização: pesquisa sociológica e seus paradigmas e métodos<br /><br />Texto 1 - BRUYNE, P., Herman, J., & SCHOUTHEETE, M. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais: os pólos <br />da prática metodológica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.<br />Texto 2 - BOURDIEU, Pierre; CHAMBOREDON, Jean-Claude; PASSERON, Jean Claude. Ofício de sociólogo. Petrópolis: Vozes, 2004. <br />Texto 3 - HABERMAS, Jürgen. A lógica das ciências sociais. 186. Petrópolis: Vozes, 2009. <br />Texto 4 - DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1990. <br />Texto 5 - MARX, Karl. O método da economia política. In: ______. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Flama, 1946. p. 219-31. <br />Texto 6 - WEBER, Max. A objetividade do conhecimento na ciência social. In: ________ Metodologia das ciências sociais (Parte 1). São Paulo: Cortez, 1993. p. 107-154. <br />Texto 7 - BOURDIEU, Pierre. A causa da ciência. Como a história social das ciências sociais pode servir ao progresso das ciências. Política & sociedade. Florianópolis: cidade Futura, n.1, p.144-161, 2002. <br />Texto 8 - BLUMER, Herbert. Sociedade como interação simbólica. Tradução: Caio Moraes Reis. PLURAL, Revista do Programa de Pós Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.25.2, 2018, p. 282-293<br />Texto 9 - BACHELARD. G. O novo espírito científico. Rio de Janeiro: 2000. <br />Texto 10 - COULON, A. Etnometodologia. Petrópolis: Vozes, 1995. <br />Texto 11 - GIDDENS, Anthony. Novas regras do método sociológico. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. <br />Texto 12 - LEVI-STRAUSS, Claude. A noção de estrutura em etnologia. In: ______. Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967. p.313-345.<br />Texto 13 - MORIN, E. Paradigmatologia. In: _______. O método: 4. As idéias habitat, vida costumes, organização. Porto Alegre: Sulina, 1999. p. 259-298. <br />Texto 14 - SANTOS Boaventura Souza de. A crítica da razão indolente. Contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, cap. 1, p. 47 -117, 2000. <br />Texto 15 - SANTOS Boaventura Souza de. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. In: Conhecimento prudente para uma vida decente. São Paulo: Cortez, p.777- 813, 2004.<br />Texto 16 - SCHIENBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Tradução de Raul Fiker. Bauru, SP: EDUSC, 2001. 384 p. (Coleção Mulher).<br />Texto 17 ALMEIDA, Eliene Amorim de. SILVA, Janssen Felipe da. Abya Yala Como Território Epistêmico: Pensamento Decolonial Como Perspectiva Teórica. In: | Revista de Educação Interritórios. Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, BRASIL | V.1 | N.1, 2015, p. 42-64.<br /> Complementares<br />CONNELL, Raewyn. A iminente revolução na teoria social. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Vol. 27, n° 80, 2012, p. 9-20<br />FERNANDES, Florestan. A reconstrução da realidade nas ciências sociais. In:_____. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. São Paulo: T. A. Queiroz, 1980. p. 1-40. <br />LEIS, Héctor Ricardo. A tristeza de ser sociólogo no século XXI. GT de Teoria Social, XXIV Encontro Anual da ANPOCS, 17 a 21 de outubro de 2000, Caxambú - MG, 17 p <br />NUNES, Edson O. (Org). A aventura sociológica. Rio de Janeiro, Zahar, 1978. <br />POPPER, Karl. A lógica das ciências sociais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1978. <br />PORTO, Maria Stela Grossi; DWYER, Tom. (Orgs.) Sociologia e realidade: pesquisa social no século XXI. Brasília: UNB, 2006. <br />DAMÁSIO, A. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. <br /> |