Caryocar brasiliense Camb. é uma espécie nativa do Cerrado brasileiro, cujo óleo essencial ainda é pouco explorado quanto às suas propriedades inseticidas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar a eficácia inseticida de nanoemulsões contendo óleo essencial da polpa do fruto de C. brasiliense (pequi) sobre Bemisia tabaci MEAM1 em folhas de soja. A análise química revelou predominância de ésteres, sendo o hexanoato de etila o composto majoritário (92,82±0,56%). A nanoemulsão apresentou eficácia estatisticamente semelhante ao inseticida sintético 24 h após a aplicação, nas concentrações de 10000 e 20000 ppm, sem causar fitotoxicidade, enquanto o óleo essencial in natura provocou efeitos fitotóxicos na maior concentração. As concentrações letais para reduzir o número de indivíduos em 50% (CL₅₀) da nanoemulsão foram de 12368,0, 7162,8, 5364,9 e 3251,6 ppm após 48, 72, 96 e 120 h de exposição, respectivamente. Para o óleo essencial in natura, os valores de CL₅₀ foram de 12617,5, 1102,3 711,2 e 253,5 ppm, indicando aumento da toxicidade ao longo do tempo de exposição, embora tenham sido observados efeitos fitotóxicos a partir de 72 h. Análises de docking molecular indicaram interação do hexanoato de etila com a enzima acetilCoA carboxilase, sugerindo interferência na biossíntese lipídica como possível mecanismo de ação inseticida. Esses resultados demonstram o potencial inseticida do óleo essencial de C. brasiliense e evidenciam a nanoemulsificação como uma estratégia promissora para o desenvolvimento de formulações mais seguras, estáveis e eficazes no manejo sustentável de B. tabaci.