A Doença Mixomatosa da Válvula Mitral (MMVD) exige a identificação precisa da dilatação atrial esquerda (DAE) para a estratificação no Estágio B2 da ACVIM e o início da terapia com Pimobendan. O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta de baixo custo e alta disponibilidade, mas sua acurácia isolada é historicamente modesta. O objetivo deste trabalho foi derivar e realizar a validação interna de um algoritmo multifatorial baseado em parâmetros da onda P, calibrado para maximizar a Sensibilidade na detecção de DAE, visando otimizar a triagem clínica. Este foi um estudo observacional retrospectivo envolvendo 150 cães (Estágios ACVIM A a C). O padrão-ouro para DAE foi a razão Átrio Esquerdo/Aorta (LA/Ao ≥ 1,6), um limiar alinhado com o Estágio B2 da ACVIM (embora reconheçamos que o Volume Atrial Esquerdo Indexado, LAVi, é o marcador estrutural de maior acurácia). Os parâmetros-chave do ECG foram a Duração da Onda P em DII e o Índice de Morris (força terminal da onda P em V1). A reprodutibilidade das medições foi avaliada pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (VIO: ICC = 0.88 para P-Dur e ICC = 0.75 para Morris). O algoritmo foi validado internamente usando validação cruzada de 5 dobras, com limiares (P70/P90) otimizados para Sensibilidade, minimizando Falsos Negativos. O Benefício Líquido do algoritmo foi avaliado pelo Diagrama de Decisão Clínica (DCA). O algoritmo multifatorial, que combina Duração de P e Índice de Morris em zonas de Risco Baixo, Médio e Alto, demonstrou um poder discriminatório global de AUC = 0.729. Sua utilidade clínica superior para a estratificação de risco e a gestão otimizada de recursos foi robustamente confirmada pelo Diagrama de Decisão Clínica (DCA), superando o benefício de marcadores isolados na tomada de decisão. Para o critério de triagem (Risco Alto + Médio), o algoritmo alcançou Sensibilidade de 88.5% (IC 95%: 71.0-96.3%) e, criticamente, um Valor Preditivo Negativo (VPN) de 96.6% (IC 95%: 90.0-99.0%) para a exclusão de DAE clinicamente relevante (LA/Ao ≥ 1,6). A proporção de Falsos Negativos nos pacientes em Estágio B2 foi de 15.4%. A análise da Variabilidade Interobservador utilizando Bland-Altman confirmou limites de concordância estreitos e viés insignificante para o Índice de Morris, validando a robustez de sua medição técnica na prática clínica. Conclusão: O algoritmo de triagem eletrocardiográfica, derivado e validado internamente, alcançou alta segurança clínica (VPN elevado), justificando a exclusão confiável de DAE clinicamente relevante na prática geral e a priorização do encaminhamento para ecocardiografia dos casos de Risco Médio e Alto. O DCA valida a utilidade clínica dessa abordagem estratificada. No entanto, é fundamental que o desempenho reportado seja interpretado com cautela devido ao potencial viés de otimismo da validação interna. A adoção generalizada do algoritmo requer validação externa prospectiva e multicêntrica.