A ascensão do serviço de streaming impôs um desafio ao sistema de direitos autorais, questionando a qualificação jurídica adequada de sua natureza como execução ou comunicação pública. Este objetiva discutir o julgamento do Recurso Especial nº 1.559.264/RJ pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), examinando seus fundamentos e a abrangência tecnológica da decisão, a fim de verificar a suficiência da Lei nº 9.610/98 para a regulação dessa modalidade de distribuição de conteúdo. A pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa, com emprego da metodologia de estudo de caso, com minuciosa análise dos autos do processo, a fim de dissecar as razões que fundamentaram o julgado. Os resultados indicam que, apesar da interpretação do STJ em equiparar certos contextos de streaming à execução pública, tal enquadramento é insuficiente para uma regulação fiel e completa. A principal lacuna reside na ausência de positivação expressa do direito de colocação à disposição do público (making available right). Conclui-se pela urgência de uma atualização legislativa que incorpore os padrões internacionais, garantindo segurança jurídica e a efetiva proteção dos direitos autorais no ambiente digital.