A nefrolitíase (NL) é uma doença multifatorial associada ao aumento do risco cardiovascular. Este estudo avaliou as repercussões cardiovasculares e autonômicas do perfil litogênico induzido por etilenoglicol (EG) em ratos Wistar machos. Trinta animais foram distribuídos nos grupos Controle, EG 0,75% e EG 1,5% e receberam água ou EG ad libitum durante 28 dias. Foram avaliados parâmetros urinários, cristalúria, pressão arterial sistólica (PAS), variabilidade cardiovascular, sensibilidade barorreflexa, reflexo Bezold–Jarisch e aspectos morfológicos e histológicos. A exposição ao EG induziu cristalúria por oxalato de cálcio a partir do 7º dia, com maior intensidade inicial no grupo EG 1,5%. A análise histológica preliminar confirmou a presença de depósitos tubulares cristalinos no grupo EG 0,75%, sem alterações renais estruturais evidentes. Ambos os grupos expostos apresentaram elevação precoce e sustentada da PAS. Ao final do protocolo, o grupo EG 1,5% exibiu aumento da PAS e da frequência cardíaca, além de alterações da variabilidade do intervalo de pulso, decorrentes de uma menor modulação vagal e predominância simpática relativa. Também foi observada atenuação da resposta bradicárdica à fenilefrina, enquanto a resposta ao nitroprussiato de sódio e o reflexo Bezold–Jarisch permaneceram preservados nos grupos EG. Conclui-se que a nefrolitíase induzida pelo EG está associado à elevação da pressão arterial, possivelmente, devido a alterações seletivas da modulação autonômica cardíaca, observada na concentração de 1,5%.