A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das Doenças Crônicas Não Transmissíveis
(DCNT) mais prevalentes no mundo, configurando-se como prioridade na Atenção Primária à
Saúde (APS) em razão de seu impacto na morbimortalidade e nos custos públicos. A análise
dos itinerários terapêuticos de pessoas hipertensas possibilita compreender barreiras de acesso,
práticas de cuidado e sentidos atribuídos ao adoecimento, valorizando tanto os serviços formais
quanto as práticas informais. O presente estudo tem como objetivo compreender os itinerários
terapêuticos de usuários hipertensos atendidos por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no
município de Pio IX – Piauí, considerando suas experiências com o sistema formal de saúde e
com práticas populares de cuidado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter narrativo,
fundamentada em referenciais que abarcam desde os modelos históricos de saúde e doença, a
crítica ao paradigma biomédico e a valorização do modelo biopsicossocial, até a compreensão
do adoecimento como experiência subjetiva e socialmente construída. A coleta de dados será
realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e da construção de linhas do tempo com
usuários hipertensos selecionados a partir de critérios clínicos e territoriais. A análise será
conduzida com o software ATLAS.ti, integrando abordagens temática e narrativa. Espera-se
que os resultados contribuam para a reorganização dos processos de cuidado na APS e para a
construção de um fluxograma representativo dos itinerários, de modo a fortalecer práticas de
saúde mais integrais, equânimes e centradas na pessoa.