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Banca de QUALIFICAÇÃO: MARÍLIA VASCONCELOS RIBEIRO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARÍLIA VASCONCELOS RIBEIRO
DATA: 31/08/2026
HORA: 16:00
LOCAL: À definir
TÍTULO: Transformações e memória no uso da construção com terra em comunidades quilombolas do Piauí: os casos de Sítio Velho e Macacos
PALAVRAS-CHAVES: Construção com terra; Comunidades quilombolas; Mutirão; Memória.
PÁGINAS: 74
GRANDE ÁREA: Outra(s)
ÁREA: Ciências Ambientais
RESUMO:

As práticas construtivas com terra em comunidades tradicionais representam estratégias intrínsecas de adaptação bioclimática e autonomia territorial, mas enfrentam desafios frente à imposição de padrões mercadológicos da construção civil e à colonialidade do saber. Assim, para compreender a relação das comunidades quilombolas Sítio Velho (Assunção do Piauí) e Macacos (São Miguel do Tapuio) com a construção com terra enquanto conhecimento tradicional, esse estudo buscou caracterizar as técnicas construtivas praticadas, descrever as dinâmicas sociais e coletivas de detenção, produção e transmissão geracional do desse conhecimento e investigar as suas permanências e transformações ao longo do tempo. Para isso, adotou-se abordagem qualitativa de caráter exploratório-descritivo estruturada como estudo de caso múltiplo, fundamentada em uma perspectiva decolonial, dialogando com a História Ambiental, a Antropologia e a Arquitetura. O trabalho de campo uniu uma inspiração etnográfica à técnica da história oral temática, utilizando observação participante, registros de campo e entrevistas semiestruturadas com os moradores. Os resultados preliminares, analisados a partir da história oral, revelam trajetórias distintas entre as comunidades: em Sítio Velho, ocorreu o abandono do adobe cru em prol do bloco cerâmico industrial, transição motivada pela melhoria nas condições de vida da população associada à crescente monetização das relações sociais, além da indisponibilidade do barro através da transformação da paisagem e desarticulação das práticas de ajuda mútua (mutirão). Em contrapartida, Macacos evidencia a permanência do conhecimento construtivo por meio do uso do adobe queimado mesmo com a recente inserção de algumas casas em bloco cerâmico e da previsão de políticas públicas habitacionais que desconsideram suas técnicas tradicionais, o que reflete a profunda relação, ainda presente, com a terra e a manutenção da coesão comunitária. Contudo, apesar dessa resistência e da importância que os moradores atribuem à valorização de suas técnicas, existe um receio entre os construtores mais velhos quanto à não continuidade desse conhecimento pelas novas gerações. Os resultados preliminares revelam que o conhecimento construtivo com terra transcende a sua funcionalidade material, configurando-se como expressão complexa de organização coletiva e manutenção dos afetos, de modo que suas transformações e o seu gradativo abandono refletem diretamente os impactos de novas dinâmicas econômicas e individualistas sobre as relações de reciprocidade do tecido quilombola.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 423657 - DALTON MELO MACAMBIRA
Interno - 423405 - JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
Interno - 1167785 - ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
Externo à Instituição - 008.***.***-55 - ALCIDES JOSÉ DELGADO LOPES - UNIVASF
Externo à Instituição - 000.***.***-94 - ÉLIDA MARIA CARDOSO DE BRITO - IFPI
Notícia cadastrada em: 17/08/2026 08:17
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