RESUMO
Leishmaniose se caracteriza por ser um grupo de doenças parasitárias negligenciadas, causadas por protozoários do gênero Leishmania, transmitidas por fêmeas do flebotomíneo durante o repasto sanguíneo. Embora haja fármacos disponíveis para o tratamento da leishmaniose, suas limitações terapêuticas tornam necessário desenvolver compostos alternativos. Nesse contexto, a química medicinal desempenha papel crucial, permitindo a síntese e otimização de moléculas com potencial terapêutico. Este estudo avaliou as propriedades biológicas de dois derivados naftoimidazóis com potencial leishmanicida (V1 e V6) por meio de teste de hemólise em ágar sangue e análises in silico, incluindo cálculo de descritores moleculares, determinação do potencial eletrostático molecular, predição de propriedades farmacocinéticas e toxicológicas, e estudos de docagem molecular. O teste de hemólise foi realizado em triplicata e repetido seis vezes. Os resultados não indicaram atividade hemolítica na concentração de 1000 μg/mL. As análises in silico demonstraram que V1 e V6 estão de acordo com os critérios de similaridade a fármacos orais. Além disso, ambos apresentaram boa absorção intestinal prevista, distribuição compatível com compostos de uso sistêmico e baixo potencial hepatotóxico, imunotóxico ou genotóxico. O estudo de HOMO-LUMO e do mapa eletrostático apontou maior reatividade para V1 e regiões mais eletronegativas em V6. A docagem molecular indicou interações favoráveis para ambos os complexos, destacando a interação V1/4IX8 (ΔGbind: –12,3751 kcal·mol⁻¹), que apresentou maior afinidade pelo sítio ativo da tirosina aminotransferase, superando o ligante nativo. Portanto, os resultados obtidos ampliam o entendimento sobre os derivados naftoimidazóis e evidenciam seu potencial farmacológico, sustentando a importância da continuidade de pesquisas direcionadas ao desenvolvimento de novas terapias contra a leishmaniose.