Introdução: os acidentes na infância constituem-se em problema de saúde pública; entre eles, as quedas causam lesões que podem deixar sequelas e até mesmo levar ao óbito, o que requer o desenvolvimento e implementação de tecnologias educacionais que sensibilizem e orientem os cuidadores quanto à prevenção de tais incidentes. Objetivo: elaborar, validar e avaliar tecnologia educacional para a prevenção de acidentes domésticos por queda infantil, no formato de cartilha impressa. Método: estudo multimétodos, desenvolvido em três etapas: 1ª – revisão de escopo, cuja busca e seleção dos estudos ocorreu nas bases de dados MEDLINE, Web of Science, BDENF e CINAHL e índice bibliográfico LILACS. A amostra foi composta por 26 estudos que utilizaram tecnologias educacionais para a prevenção de acidentes por quedas na infância; 2ª – estudo descritivo, realizado com 181 pais e outros cuidadores de crianças com idade entre 2 e 5 anos, para identificação da ocorrência de acidentes domésticos por queda infantil; 3ª – estudo metodológico, realizado em cinco etapas: elaboração e aprovação do projeto de pesquisa; levantamento bibliográfico e seleção das informações relevantes; elaboração da cartilha; validação por 12 especialistas da área de interesse e avaliação por 25 representantes do público-alvo. Os especialistas validaram o conteúdo e aparência da cartilha por meio dos instrumentos IVCES e IVATES. Os representantes do público-alvo responderam o instrumento de avaliação da cartilha impressa, sendo avaliados a organização, estilo de escrita, aparência e motivação. Foram analisados o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), o Índice de Validade de Aparência (IVA) e a consistência interna das respostas por meio do coeficiente Alfa de Cronbach. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, sob Parecer nº 6.516.150. Resultados: O mapeamento das evidências na literatura científica nacional e internacional revelou que as cartilhas, panfletos e folhetos foram as tecnologias mais utilizadas, sendo que os serviços de saúde foram os locais mais frequentes de sua implementação. As tecnologias promoveram aumento do conhecimento das crianças, dos familiares, cuidadores, profissionais de saúde e de educação. A análise da ocorrência de queda infantil verificou que 86,2% dos infantes sofreram algum tipo de queda no domicílio. Sobressaíram quedas da cama (56,4%), atingindo a cabeça/face (52,6%), ocasionando, principalmente, corte/laceração (16%). A cartilha obteve IVC global de 0,92 e IVA global de 0,98 por parte das especialistas, ambos com confiabilidade da escala e alta concordância entre as respostas positivas. Quanto à avaliação do público-alvo, alcançou IVC de 0,99, apontando alto nível de concordância e aprovação da cartilha. Conclusão: a cartilha educativa, “Prevenção de queda infantil em casa – fique de olho”, demonstrou excelentes evidências de validade de conteúdo e de aparência, sendo considerada válida e confiável. Portanto, constitui-se em recurso tecnológico relevante para a prevenção de acidentes domésticos por queda infantil. Pesquisas futuras serão úteis para avaliar a efetividade da cartilha acerca da prevenção de tais acidentes.