INTRODUÇÃO: As Lesões por Pressão constituem relevante problema de Segurança do Paciente, com elevada incidência durante a hospitalização e impactos clínicos, sociais e institucionais significativos. A inclusão de cuidadores de pacientes hospitalizados nas ações de Segurança do Paciente está alinhada às diretrizes nacionais e internacionais, estratégia essencial para a prevenção desse agravo em saúde. Nesse cenário, as tecnologias educativas em saúde, especialmente os aplicativos móveis, apresentam potencial para qualificar o cuidado por meio do acesso a informações baseadas em evidências e engajamento do usuário. OBJETIVO:Construir e buscar evidências de validade de um aplicativo para dispositivos móveis, para auxiliar cuidadores na prevenção de lesão por pressão em pacientes hospitalizados em enfermarias. MÉTODO:Estudo desenvolvido em duas fases: 1 – revisão de escopo, conduzida de acordo com a estrutura metodológica proposta por Joanna Briggs Institute, estruturada com base no Checklist PRISMA extension for Scoping Reviews, com protocolo registrado na Open Science Framework; e 2 – Estudo metodológico, desenvolvido no município de Teresina-PI, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, utilizando o Modelo De Processo de Prototipação. A validação do aplicativo, quanto ao conteúdo, usabilidade, e aparência foi realizada por 27 juízes, das áreas de Enfermagem, Tecnologia da Informação e Design gráfico, respectivamente. Além da avaliação da usabilidade pelo público-alvo, com a participação de 36 cuidadores de um Hospital Universitário. A análise dos dados foi realizada por meio da estatística descritiva e inferencial, utilizando o Alpha de Cronbach, o Coeficiente de Correlação Intraclasse e o Índice de Validade de Conteúdo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí sob o parecer de número 7.545.366.RESULTADOS:O aplicativo Pele Segura foi desenvolvido a partir de lacuna identificada na revisão de escopo e na análise de aplicativos disponíveis, os quais não contemplavam orientações para cuidadores durante a hospitalização. A tecnologia foi construída com identidade visual própria, fundamentada em princípios de m-Health, linguagem acessível e conteúdo baseado em diretrizes nacionais e internacionais para prevenção de Lesões por Pressão. O aplicativo reúne funcionalidades educativas, avaliativas e de apoio ao cuidado, incluindo informações sobre lesões, avaliação preventiva de risco, orientações práticas, além de alarmes e lembretes para organização do cuidado. A validação com os juízes contemplou elevados índices de validade ao conteúdo, usabilidade e aparência, com IVC variando entre 0,78 e 1,00 e baixas severidades de erros segundo as heurísticas de Nielsen. A avaliação pelo público-alvo revelou alta aceitação, com média de 96,8 pontos na System Usability Scale, evidenciando excelente usabilidade. As sugestões emitidas pelos experts foram majoritariamente acatadas, contribuindo para o aprimoramento da clareza, consistência visual e funcionalidade do aplicativo. CONCLUSÃO:a construção do Pele Segura baseou-se na identificação de lacunas no conhecimento dos cuidadores e na demanda por estratégias educativas acessíveis e alinhadas às diretrizes de Segurança do Paciente. O aplicativo apresentou evidências satisfatórias de validade de conteúdo, usabilidade e aparência, segundo a avaliação de juízes experts, além de adequada aceitabilidade pelo público-alvo. Embora limitado pela validação em um único cenário e pela ausência de avaliação de impacto clínico, o aplicativo demonstrou potencial de aplicação no contexto hospitalar, recomendando-se estudos futuros para análise de desfechos clínicos e aprimoramento de funcionalidades e integração institucional.