Introdução: A hepatite B é uma infecção prevenível por vacina, mas ainda representa um relevante problema de saúde pública. Estudantes de Enfermagem estão particularmente expostos ao risco ocupacional, o que reforça a necessidade de adesão à vacinação e do conhecimento adequado sobre a doença. Objetivo: Analisar o conhecimento e a completude vacinal contra hepatite B em graduandos em Enfermagem. Método: Estudo transversal analítico realizado com 409 estudantes matriculados nos três campi da Universidade Federal do Piauí. Foram incluídos graduandos regularmente matriculados e que apresentaram cartão de vacinação no momento da coleta. Utilizaram-se instrumentos validados para caracterização sociodemográfica, acadêmica, comportamental, situação vacinal e conhecimento. A análise foi realizada no software Jamovi versão 2.3. Foram aplicados testes do qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher para análise de associação, cálculo de razão de chances com intervalos de confiança de 95% e regressão logística binomial para identificação de fatores associados. Adotou-se nível de significância de 5%. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, sob parecer nº 7.851.228/2025 e todos os participantes assinaram o Termo de Concentimento livre e Esclarecido. Resultados: A maioria era do sexo feminino, com média de idade de 21,4 anos. A completude vacinal foi observada em 74,3% dos participantes. Renda familiar igual ou superior a três salários mínimos associouse à maior chance de esquema completo quando comparada à renda de até dois salários mínimos (OR=2,58; p<0,001). Estar após a disciplina relacionada ao tema associou-se à maior completude vacinal (p=0,004), assim como ter realizado capacitação sobre hepatite B (OR=1,90; p=0,005). No modelo ajustado, renda familiar mais baixa manteve associação com incompletude vacinal (ORa=2,57; IC95%: 1,45–4,56; p=0,001), bem como cursar período anterior à disciplina (ORa=1,92; IC95%: 1,22–3,03; p=0,005) e não ter realizado teste rápido (ORa=1,75; p=0,014). Quanto ao conhecimento, 57,9% foram classificados com nível adequado. Estar após a disciplina associou-se a maior chance de conhecimento adequado (ORa=2,10; IC95%: 1,40–3,13; p<0,001), enquanto não ter realizado capacitação reduziu essa chance (ORa=0,45; p<0,001). Histórico de infecção sexualmente transmissível associou-se positivamente ao conhecimento adequado (ORa=2,47; p=0,007). Persistiram lacunas em questões relacionadas à transmissão por amamentação, interpretação de testes rápidos e marcador sorológico de imunidade. Conclusão: Apesar da predominância de esquema vacinal completo e conhecimento satisfatório, persistem desigualdades associadas a fatores acadêmicos e socioeconômicos, indicando a necessidade de fortalecimento das estratégias formativas e de acompanhamento vacinal durante a graduação.