Introdução: a comunicação imprecisa ou incorreta das informações do paciente durante o processo de transferência inter-hospitalar, pode gerar interpretações equivocadas, colocando o paciente em maior risco de desfechos ruins e para minimizá-las, passa necessariamente pela criação de instrumento específico para tornar a comunicação clara, objetiva e completa. Além disso, exige desenvolvimento contínuo de procedimentos, comportamentos, tecnologias e ambientes que reduzam riscos e previnam danos evitáveis. Objetivo geral: Desenvolver um instrumento de comunicação efetiva para a equipe de enfermagem na transferência interhospitalar de pacientes críticos. Método: trata-se de um estudo metodológico, voltado a construção e validação de um instrumento de comunicação inter-hospitalar de pacientes críticos, seguido de três etapas: (1) revisão de escopo; (2) construção do instrumento; e (3) validação com juízes especialistas. A revisão de escopo foi conduzida conforme diretrizes do JBI e checklist PRISMA-ScR, com protocolo registrado na plataforma Open Science Framework (DOI: https://doi.org/10.17605/OSF.IO/SX7RE). A construção do instrumento foi com base no modelo de protocolo ISBAR (Identificação, Situação, Histórico, Avaliação, Recomendação), contendo a descrição de itens que resultaram da revisão de escopo, no sentido de garantir a segurança e continuidade da assistência. A validação de conteúdo ocorreu por meio de juízes especialistas, utilizando escala Likert de quatro pontos e cálculo do Índice de Validade de Conteúdo (IVC). Os dados foram analisados por estatística descritiva. Ressalta-se que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética do Ministério de Saúde (CEMS) de Angola, sob o parecer número 025 CEMS/2025. Resultados: A revisão de escopo incluiu 21 estudos, identificados em bases de dados e na literatura cinzenta, publicados entre 2012 e 2024 e que atenderam aos critérios de elegibilidade. Os itens de comunicação mapeados foram organizados em áreas temáticas: identificação do paciente e dados administrativos; situação clínica atual; histórico e antecedentes; dispositivos e suportes tecnológicos; medicações e intervenções; precauções e riscos; plano de cuidados e continuidade assistencial; e intercorrências. Com base nesses achados, foi elaborado um instrumento estruturado segundo o modelo ISBAR, composto por cinco domínios e respectivos itens e subitens, contemplando os elementos essenciais para uma transferência segura e sistematizada. O processo de validação de conteúdo contou com a participação de nove juízes especialistas, que avaliaram o instrumento quanto à clareza, relevância, abrangência e aplicabilidade. O instrumento alcançou Índice de Validade de Conteúdo global de 0,89 e índice de concordância de 89%, indicando adequada validade de conteúdo. Conclusão: O instrumento desenvolvido e validado apresentou adequada clareza, abrangência e consistência de conteúdo, configurando-se como uma ferramenta válida para padronizar a comunicação na transferência inter-hospitalar de pacientes críticos. Sua aplicabilidade prática favorece a continuidade do cuidado e o fortalecimento da segurança do paciente, sem demandar tempo excessivo de utilização pelo enfermeiro no contexto hospitalar.