Notícias

Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA CLARA DOS SANTOS OLIVEIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA CLARA DOS SANTOS OLIVEIRA
DATA: 23/09/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Sala do PPGHB/CCHL/UFPI
TÍTULO: “CRISTÃOS, CASADOS E EXEMPLARES CHEFES DE FAMÍLIA”: A CENSURA MUSICAL VISTA PELA ÓTICA DA SUBVERSÃO MORAL
PALAVRAS-CHAVES: História; Censura moral; Ditadura civil-militar, Música; Cartas.
PÁGINAS: 80
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO:

O presente estudo tem por objetivo investigar a atuação da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) na repressão moral à música brasileira durante as décadas de 1970 e 1980, buscando compreender sua importância na regulação das representações sociais acerca da família, sexualidade e costumes durante o período da ditadura civil-militar brasileira. Para tanto, utilizamos como fontes os exames censórios produzidos pela DCDP dentro do recorte temporal desse trabalho e as cartas de civis enviadas à censura. A justificava do recorte inicial (1970) da pesquisa explica-se por ser o ano em que é oficialmente instituída a censura prévia no país através do Decreto-lei 1.077/70 e onde o Estado expõe de maneia clara o objetivo de fazê-la em defesa da “moral e dos bons costumes”. O recorte temporal se estende até o ano de 1988, quando a DCDP é oficialmente extinta em decorrência da promulgação da nova Constituição que passa a valer no país. A metodologia de análise da pesquisa foi qualitativa, logo, ao catalogamos os exames censórios das letras musicais e as cartas de civis buscamos identificar alguma regularidade nos discursos contidos nelas, como não foi nossa pretensão quantificar o número de pareceres censórios nem de cartas, cotejamo-las sob uma perspectiva de amostragem. Analisamos as letras das canções contidas nos exames censórios de maneira individual, entrecruzando seu lirismo com aquilo que a censura entendia ser moralmente aceito ou não, a fim de compreender a justificativa para o veto. Para isso, cruzamos  essas fontes com arquivos administrativos produzidos pela DCDP e com as normas legislativas que balizavam a ação dos censores. Já as carta produzidas por civis, entidades religiosas e entidades cívico-militares foram examinadas com a finalidade de demonstrar a participação popular no processo de censura aos costumes no Brasil e seu apoio ao governo dos militares. No que se refere a fundamentação teórica, a pesquisa apoia-se em estudos que já discutiram o tema da censura de costumes durante a ditadura civil-militar brasileira e que foram essenciais para construir esse trabalho, desse modo, compreendemos a diferenciação entre censura política e censura de costumes a partir de Ana Marília Carneiro (2013), Alexandre Stephanou (2004), Nayara Vieira (2010) e Carlos Fico (2002); compreendemos a trajetória da música popular brasileira como uma manifestação multicultural a partir das perspectivas de Marcos Napolitano (2005, 2007) e Paulo Cesar Araújo  (2005). Trabalhamos com o conceito de representação a partir das considerações de Roger Chartier (1990, 2006), buscando compreender de que maneira o Estado brasileiro impunha sua visão de mundo conservadora através da cultura. Nossa investigação também se amparou na perspectiva de análise sociológica da cultura empreendida por Raymond Williams (1992), através dela compreendemos as nuances da produção cultural no período e a relação do Estado enquanto instituição reguladora dessa produção. Portanto, através dos processos censórios das canções e das cartas de missivistas, buscamos evidenciar a centralidade exercida pelos mecanismos de controle moral na dinâmica repressiva do regime civil-militar e a participação civil nesse processo, destacando, ao longo do texto, a linha tênue que separa a dimensão política e moral exercida pela DCDP.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2335100 - CLAUDIA CRISTINA DA SILVA FONTINELES
Interno - 2061327 - FABIO LEONARDO CASTELO BRANCO BRITO
Interno - 877.***.***-72 - PEDRO PIO FONTINELES FILHO - UESPI
Notícia cadastrada em: 27/08/2026 11:46
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb05.ufpi.br.instancia1 30/08/2026 19:19