Na atividade de linguagem, a argumentação leva em conta um processo de orquestração dos posicionamentos, seja na perspectiva do texto ou do discurso. No contexto da escrita, quanto ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), espera-se que os participantes se posicionem na redação sobre o tema fundamentando suas discussões com os próprios conhecimentos, o que deve ocorrer por meio de relações intertextuais. Porém, o uso de Inteligências Artificiais tem interferido na realidade atual, principalmente no desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita de estudantes. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa é analisar a modalidade argumentativa demonstrativa no desenvolvimento de um tema da redação do ENEM, conforme as estratégias intertextuais, tanto empregadas pelo aluno quanto geradas pelo ChatGPT, conforme solicitação. Como fundamentos teóricos principais, tem-se como base o estudo das modalidades argumentativas de Ruth Amossy (2008; 2020); Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005) no nível da argumentação; Koch (2006; 2008) quanto à argumentação e à linguagem como interação na perspectiva da Linguística Textual; Cavalcante (2020; 2022), Koch, Bentes e Cavalcante (2008) e Carvalho (2018), contemplando estudos sobre a intertextualidade; e Santaella (2023), Eysenck e Eysenck (2023) e Vicari et al. (2023) situando a abordagem sobre Inteligência Artificial no estudo. Quanto à metodologia, trata-se de um estudo qualitativo (Paiva, 2019), por uma relação entre áreas distintas, com uma análise interpretativa; de viés explicativo, pelas constatações a serem estabelecidas com base nas análises; e documental, por ter redações do ENEM nota mil da edição de 2023 (Brasil, 2024) e redações geradas pelo ChatGPT como corpus. Os resultados comprovam que, por meio da demonstração, os alunos alcançam nota máxima em virtude de a defesa dos argumentos se constituir no processo de apresentação e comprovação, o que não costuma acontecer na geração de textos da IA de modo fidedigno. O ChatGPT desenvolve, por meio da geração, habilidades exitosas quanto à materialidade linguística e à articulação textual, entretanto não consegue gerar relações intertextuais legítimas que funcionem como provas, o que impede a legitimidade, a pertinência e arelevância do posicionamentos, não alcançando as estratégias de abordagem do tema.