Definimos como objetivo central dessa pesquisa compreender como a imagem da mulher na ciência é construída em notícias veiculadas nas revistas de divulgação científica Superinteressante e Ciência Hoje, e como objetivos específicos descrever e interpretar o que se diz sobre a mulher nos discursos que tratam sobre a mulher na ciência, compreender como as condições de produção, a memória discursiva e as formações discursivas são postas em funcionamento para significar a mulher na ciência e compreender como esses discursos podem indicar uma mudança geracional em termos da relação da mulher com o saber. Para tanto, definimos como corpus desse estudo as notícias divulgadas nas revistas Superinteressante e Ciência Hoje que tratam acerca da mulher na ciência, tendo em vista a ampla divulgação de notícias de caráter científico, assim como a diversidade de assuntos abordados, visando a disseminação do conhecimento científico. A pesquisa incide sobre as notícias veiculadas sobre o tema nos anos de 2021, 2022 e 2023, justificável pela maior visibilidade dada à mulher cientista e pelo protagonismo feminino no campo científico ocorrido nos últimos anos, assim como pelo impacto da pandemia sobre a produtividade feminina. A seleção do corpus deu-se a partir da inserção das palavras-chave “mulher na ciência”, “mulheres na ciência” e “mulher cientista” no sistema de buscas do acervo digital de cada revista, culminando com a identificação de 112 notícias sobre o tema, número este decorrente da existência de colunas voltas à discussão do tema, Mulheres na Ciência (Superinteressante) Mulheres Cientistas (Ciência Hoje), às quais se soma uma maior visibilidade atribuída ao tema, em especial no ano de 2021. Tendo em vista esse número expressivo, fizemos um novo recorte objetivando uma maior delimitação do arquivo, chegando ao número de 57 notícias (25 da Superinteressante e 32 daCiência Hoje). A análise ainda em curso, efetuada a partir dos princípios da AD materialista, e fundamentada nos estudos de Pêcheux (2014, 2012), Courtine (2009), Orlandi (1999, 2007, 2020), Zoppi-Fontana (2017), França (2018), bem como a partir das discussões que tratam da interrelação entre gênero e ciência, a exemplo de Silva (2012), Barros e Silva (2019), Schiebinger (2001), Tosi (1998), Leta (2003), Velho (2006), Silva e Ribeiro (2014), Barros e Mourão (2020), Lima (2013), Grossi et al. (2016), dentre outros, aponta para a existência de estereótipos de gênero que se materializam de diferentes formas, a depender do contexto em que viveu/vive a pesquisadora. Nas notícias que tratam acerca da mulher cientista em tempos remotos, a existência de altas habilidades como critério de valoração feminina na ciência, o acesso privilegiado a livros e ambientes de estudo para fazer ciência, a subvalorização feminina, o questionamento das habilidades femininas e o menor crédito a pesquisas realizadas por mulheres são informações recorrentes. Por sua vez, nas notícias que tratam acerca da mulher cientista nos tempos atuais, apresenta-se como traço discursivo recorrente: o questionamento das habilidades femininas, a maior dificuldade enfrentada pela mulher cientista para crescer profissionalmente e para conseguir bolsas ou cargos de maior destaque, o maior esforço dispensado pelas mulheres para obter reconhecimento, a crença infundada de que as mulheres têm menos habilidades do que homens em algumas áreas e impacto dos estereótipos de gênero na performance feminina.