Esta dissertação tem por objetivo geral analisar o alçamento da vogal /o/ no português falado na cidade de Caxias – MA, buscando evidenciar os fatores linguísticos e extralinguísticos que condicionam a variação. Nesse sentido, propomos uma discussão fundamentada na perspectiva da Sociolinguística Variacionista, conforme apresentada em Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]) e Labov (2008 [1972]), incorporando também contribuições de estudiosos da fonologia, como Bisol (1981; 2002; 2010; 2014), Guy (2001), Silva (2017), entre outros. O corpus utilizado contou com dados coletados em entrevistas – oriundas do projeto ALFMA – com 36 participantes estratificados socialmente por gênero, faixa etária e escolaridade. No que se refere às variáveis linguísticas consideradas na análise, investigaram-se a contiguidade, o paradigma, a distância da sílaba tônica e os contextos fonológicos precedente e seguinte. O tratamento estatístico dos dados foi realizado por meio do pacote de programa computacional GoldvarbX (Sankoff, Tagliamonte; Smith, 2005). Os dados presentes na amostra indicam um total de 2.604 ocorrências, correspondendo ao conjunto geral do corpus analisado. Observam-se as realizações das variantes com 895 ocorrências de [ɔ] (34,4%), 1.198 ocorrências de [o] (46,0%) e 511 ocorrências de [u] (19,6%). Dentre os fatores selecionados, o contexto fonológico precedente, a altura da vogal subsequente e o paradigma apresentaram os maiores pesos relativos. As variáveis sociais escolaridade, gênero e faixa etária apresentaram resultados próximos ao ponto neutro. Assim, os dados apresentados nesta pesquisa contribuem para o entendimento da variação vocálica no português falado em Caxias – MA, bem como para a ampliação das discussões no campo da fonologia variacionista.