Este trabalho tem como objetivo geral analisar, à luz da Historiografia Linguística, a abordagem metodológica do ensino de Língua Portuguesa na obra O idioma nacional na escola secundária (1935), evidenciando as continuidades e as descontinuidades da perspectiva teórica predominante na proposição do autor. A fundamentação metodológica foi pautada nos seguintes princípios propostos por Koerner (2014 [1996]): contextualização, para recompor o clima social-intelectual propício à produção da obra e identificar possíveis influências na tese do autor, e imanência, para investigar a abordagem metodológica do ensino de Língua Portuguesa na obra. Buscou-se identificar e explicitar as continuidades e descontinuidades, além de sistematizar as influências diretas e as referências explicitadas na obra, a fim de verificar quais ideias inspiraram a abordagem metodológica do autor. Com o desenvolvimento deste trabalho, foi possível observar que o contexto de formação da sociedade brasileira e a valorização do português brasileiro culto pela população letrada no Brasil influenciaram o ensino de Língua Portuguesa no país, assim como o posicionamento de diversos intelectuais da época frente ao padrão europeu. Além disso, o contexto acadêmico do autor permitiu a formulação de teses inovadoras para o período, que promoveram, em sua maioria, a descontinuidade da concepção do ensino tradicional. Na obra, o autor apresenta uma quebra de perspectiva em relação ao purismo tradicional ao defender um ensino de língua funcional, conforme o contexto de uso da língua no Brasil. Conclui-se que, embora haja ideias de continuidade, como a defesa de uma padronização ortoépica ideal, o autor apresenta na maior parte da obra uma ruptura na perspectiva metodológica de ensino ao reconhecer que a língua portuguesa assumida no Brasil é uma variante diferente da lusitana, tanto na pronúncia quanto na construção de frases e uso de vocabulário, e ao defender um ensino pautado no tom de conversação, próximo à realidade social e concreta do aluno.