A busca pelo sentido é uma atividade constante no contexto de quem lida com a língua, no entanto, alguns são os desafios para lidar com essa procura, sendo um deles o caráter opaco da linguagem. Com essa consciência, fazemos uso da perspectiva semântico-enunciativa construtivista baseada na Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas (TOPE), com o intuito de analisar o processo de construção de sentidos possíveis pela interação que a unidade apertado pode apresentar nos enunciados. Pretendemos ainda, a partir da ótica da Teoria, identificar princípios em meio às já esperadas variações. Para isso, temos como bases teóricas as discussões sobre sentido de autores como Ferrarezi (2019), Cançado (2020); e sobre as bases teórica da TOPE e do construtivismo por De Vogué; Franckel; e Paillard (2011); Culioli (1990, 1999a, 1999b), entre outros. Nossa pesquisa, de base documental e qualitativa (Paiva, 2019), teve como corpus uma seleção de enunciados retirados do X/Twitter, analisandos por meio de processos de abstrações, manipulações e agrupamentos característicos da Teoria. Ao final, percebemos que a palavra apertado, enquanto adjetivo, apresenta como princípio de invariância a ideia de compressão ou pressionamento, manifestada por meio de relações com as grandezas de espaço, tempo e quantidade, cujas variações decorrem das diferentes relações estabelecidas nos enunciados. Com base nesses resultados, propomos, ainda, um encaminhamento didático voltado ao professor de Língua Portuguesa, demonstrando possibilidades de exploração da construção dos sentidos em sala de aula a partir de uma perspectiva reflexiva e construtivista. Desse modo, esperamos contribuir tanto para a compreensão do sentido como uma construção que se dá no e pelo enunciado quanto para a aproximação entre as discussões da TOPE e o ensino de Língua Portuguesa, evidenciando que, mesmo em meio à realidade opaca da linguagem, é possível identificar princípios que orientam o funcionamento das unidades linguísticas.