O presente estudo propõe como objeto de investigação a relação entre os usos sociais da linguagem vivenciados por estudantes do 6o ano do Ensino Fundamental na comunidade e o ensino de Língua Portuguesa. Nessa perspectiva, o contexto familiar e o território são compreendidos como espaços legítimos de produção de saberes que podem ser articulados às práticas escolares. Desse modo, o objetivo geral consiste em investigar as possibilidades de articulação entre os saberes locais mobilizados nas práticas de letramento comunitário e as práticas de leitura, escrita e oralidade previstas no currículo de Língua Portuguesa, por meio de um projeto de letramento. A investigação fundamenta-se nos Novos Estudos do Letramento (Street, 2014; Kleiman, 1995; Rojo, 2009) e nas discussões voltadas ao letramento comunitário (Heath,1982;1983; Barton; Hamilton, 1998; Santos, 2015, 2020). Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, orientada pela pesquisa-ação etnográfica (André, 1997; Thiollent, 1992; Bortoni-Ricardo, 2008), aliando a compreensão da realidade social à intervenção pedagógica. Como procedimento de pesquisa, foi desenvolvido e aplicado um projeto de letramento com estudantes do 6o ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal de Teresina-PI, com atividades realizadas no espaço escolar e no contexto comunitário em que os participantes residem. Os resultados parciais revelam que o ambiente familiar e o território constituem espaços legítimos de letramento, onde os discentes mobilizam práticas de leitura, escrita e oralidade para atender às demandas do cotidiano. Evidenciou-se, nesta etapa, que os conhecimentos locais tradicionalmente invisibilizados possuem potencial para ressignificar o ensino de Língua Portuguesa, criando pontes para uma aprendizagem contextualizada e em diálogo com a comunidade.