A presente tese tem como objetivo geral propor a conceituação da categoria heroínas verticais na tradição de heróis presentes nos romances neorregionalistas, em quatro obras de autores brasileiros, a saber: Quarenta dias (2014), de Maria Valéria Rezende; Oração para desaparecer (2023), de Socorro Acioli; Torto arado (2019), de Itamar Vieira Junior; e Dora sem véu (2018), de Ronaldo Correia de Brito. Assim, foram delineados os seguintes objetivos específicos: investigar como se dá a construção das personagens femininas dos romances que compõem o corpus de análise, sob a ótica da autonomia; identificar as configurações que caracterizam Quarenta dias (2014), Oração para desaparecer (2023), Torto arado (2019) e Dora sem véu (2018) em obras neorregionalistas, para assim estudá-las a partir dessa corrente estética; compreender as relações estabelecidas entre o espaço literário e a memória presentes nos romances, através das personagens; conceituar a categoria heroínas verticais com base nos romances selecionados, apontando características e configurações que estão presentes na tradição de heróis neorregionalistas brasileiros; e deslindar sobre os aspectos históricos apresentados nos romances e como essa relação entre história e literatura é essencial para a compreensão da construção e formação dessas heroínas. A fim de alcançar os objetivos propostos, foi utilizada como metodologia a pesquisa bibliográfica, com uma abordagem qualitativa, para que, por meio de conceitos e ideias, seja possível chegar aos resultados esperados. Para tanto, a presente pesquisa utiliza como embasamento teórico autores como: Brito (2017a; 2017b; 2017c; 2019; 2024), Oliveira (1991), Lukács (2009; 2015), Bakhtin (1997; 2010), Candido (2014; 2000; 2004), Brandão (2019), Sarlo (2014), Saffioti (2015), Perrone-Moisés (2016), Maas (2000), Galbiati (2011; 2013), Pinto (1990), Silva (2021), Moretti (2020), Murdock (2022), Tatar (2021), entre outros. Com isso, esperamos contribuir para as investigações dos problemas levantados na pesquisa no campo da literatura brasileira contemporânea, bem como evidenciar como o estudo da personagem é uma forma efetiva de se desnudar a narrativa literária, pois é ela quem vive as ações descritas no romance, quem sofre ou supera as peripécias apresentadas na história. Dessa forma, quando nos deparamos com personagens que refletem sobre si e o mundo em que vivem, essas representações ajudam a construir o que denominamos de verticalização do caráter das personagens femininas, o que é um dos critérios para a compreensão destas como heroínas verticais.