As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) constituem um
dos principais desafios contemporâneos para os sistemas de saúde, destacando-se a obesidade
como importante determinante da morbimortalidade no Brasil. Reconhecida como uma condição
crônica multifatorial, a obesidade apresenta impactos significativos sobre a qualidade de vida e
se associa a fatores biológicos, comportamentais, socioeconômicos, ambientais e culturais, sendo
agravada por processos como urbanização acelerada, redução da atividade física e consumo
crescente de alimentos ultraprocessados. Dados recentes evidenciam a magnitude do problema
em escala global, nacional e estadual, com altas prevalências de sobrepeso e obesidade no Brasil
e no Piauí, reforçando a necessidade de estratégias estruturadas no âmbito do Sistema Único de
Saúde. Nesse contexto, a Atenção Primária em Saúde (APS) assume papel estratégico por sua
capilaridade, proximidade com os territórios e potencial desenvolvimento de ações de promoção
da saúde, prevenção e cuidado longitudinal. A Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN), diretriz
da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), destaca-se como instrumento essencial
para o monitoramento do estado nutricional da população e o planejamento das ações em
saúde. Diante desse cenário, objetivou-se associar os problemas prioritários relacionados ao
excesso de peso às ações de vigilância alimentar e nutricional e À disponibilização de
equipamentos públicos no território. Trata-se de um estudo descritivo e analítico, de
delineamento transversal e abordagem quantitativa, fundamentado em dados secundários do
Programa de Enfrentamento e Controle da Obesidade no âmbito do Atenção Básica do SUS no
Piauí (ECOSUS-PI), coletados entre 2019 e 2022. A amostra incluiu 190 municípios e 585 Unidades
Básicas de Saúde, selecionados por amostragem aleatória. A coleta de dados foi realizada por
meio de questionário eletrônico aplicado a profissionais da APS, e as análises utilizaram testes
estatísticos apropriados para verificar associações entre as variáveis. Os achados evidenciam
fragilidades estruturais e de gestão no enfrentamento do excesso de peso no estado,
especialmente no uso sistemático do diagnóstico epidemiológico e na articulação entre VAN,
planejamento e gestão, indicando a necessidade de qualificação dessas ações para subsidiar
políticas públicas mais efetivas.