Esta dissertação analisa a produção discursiva de subjetividades infantis de crianças órfãs do feminicídio no Google e no Google Imagens, compreendendo essas plataformas como dispositivos sociotécnicos de mediação da cultura digital que participam da produção, circulação e legitimação de regimes de visibilidade sobre as infâncias. Parte-se do pressuposto de que o feminicídio, para além de constituir a expressão extrema da violência de gênero, produz impactos sociais e simbólicos que incidem sobre crianças que vivenciam a orfandade, cujas experiências passam a ser significadas por discursos midiáticos, institucionais e algorítmicos. Nessa perspectiva, considera-se que os mecanismos de busca não atuam como instrumentos neutros de recuperação da informação, mas como tecnologias discursivas que organizam, hierarquizam e reiteram determinadas representações sociais, influenciando os modos pelos quais essas crianças são reconhecidas, nomeadas e subjetivadas no espaço público digital. O objetivo geral consiste em compreender como os resultados disponibilizados pelo Google e pelo Google Imagens produzem discursivamente subjetividades infantis relacionadas às crianças órfãs do feminicídio. Como objetivos específicos, pretende-se identificar as formações discursivas predominantes nos resultados das buscas; analisar as estratégias linguísticas e imagéticas mobilizadas na construção das representações dessas crianças; examinar os efeitos de sentido produzidos pelas relações entre discursos, imagens e algoritmos; e discutir as implicações desses processos para a constituição das infâncias na cultura digital contemporânea.Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada na Análise Crítica do Discurso, com base nas contribuições de Norman Fairclough e Teun A. van Dijk, articuladas às discussões sobre Mídias, Infâncias, Plataformas Digitais e Produção de Subjetividades. O corpus é composto por resultados textuais e imagéticos obtidos mediante descritores relacionados às crianças órfãs do feminicídio no Piauí no Google e no Google Imagens, coletados em recorte temporal previamente definido. Assume-se que os discursos são práticas sociais atravessadas por relações de poder que produzem efeitos materiais e simbólicos sobre os sujeitos, constituindo identidades, legitimando determinadas formas de visibilidade e silenciando outras. Espera-se demonstrar que os mecanismos de busca, ao selecionarem, classificarem e hierarquizarem conteúdos, participam ativamente da produção de sentidos acerca das crianças órfãs do feminicídio, contribuindo para a constituição de subjetividades infantis marcadas por processos de vitimização, vulnerabilização, invisibilização ou reconhecimento social. Ao evidenciar a dimensão discursiva e política dos sistemas algorítmicos, esta pesquisa pretende ampliar o debate sobre as relações entre plataformas digitais, produção de subjetividades e direitos das crianças, oferecendo contribuições ao campo da Comunicação ao problematizar os modos pelos quais as infâncias são construídas e disputadas midiática contemporânea. Os resultados parciais indicam que as representações privilegiam discursos associados ao sofrimento, à vulnerabilidade e ao trauma, enquanto aspectos relacionados ao reconhecimento dessascrianças como sujeitos de direitos e às possibilidades de reconstrução de suas trajetórias aparecem de forma secundária. Conclui-se, de maneira preliminar, que o Google Imagens atua como um mediador discursivo que não apenas organiza conteúdos, mas participa da produção de subjetividades e da construção da memória social sobre as crianças órfãs do feminicídio, evidenciando o papel das plataformas digitais na constituição de regimes de visibilidade contemporâneos.