As transformações socioespaciais decorrentes da racionalidade instrumental e do modelo de desenvolvimento hegemônico consolidaram uma crise ambiental que ultrapassou o desequilíbrio ecológico, configurando-se como uma crise civilizatória e do conhecimento. Nesse contexto, a Educação Ambiental (EA) emerge como campo estratégico de resistência e ressignificação das relações sociedade-natureza. A Geografia escolar, por sua vez, constitui o lócus privilegiado para essa abordagem, dada sua capacidade de promover a leitura crítica do espaço geográfico. Esta pesquisa investiga a integração da EA no ensino de Geografia em uma escola da rede estadual de Coroatá, Maranhão, problematizando o hiato existente entre o aparato normativo como a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999) e a Política Estadual de Educação Ambiental do Maranhão (Lei nº 9.279/2010) e a efetiva prática pedagógica no cotidiano escolar. O objetivo geral consiste em analisar como a EA é desenvolvida na disciplina de Geografia nas escolas estaduais de Coroatá/MA. Tendo como objetivos específicos: caracterizar os desafios e as metodologias utilizadas pelos professores para integrar a EA ao ensino de Geografia; verificar se o Plano Político Pedagógico contempla a temática ambiental no componente curricular; e propor estratégias que contribuam para o aprimoramento das práticas pedagógicas relacionadas a Educação Ambiental. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa e exploratória, adotando o estudo de caso como delineamento principal. A coleta de dados fundamenta-se na triangulação entre pesquisa bibliográfica, análise documental (Projeto Político Pedagógico e planos de aula), observação não participante em sala de aula e entrevistas semiestruturadas com o docente e gestor escolar. Resultados parciais sinalizam que a prática docente enfrenta um processo de silenciamento da EA crítica imposto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), resultando em abordagens fragmentadas e conservacionistas. Espera-se que a pesquisa contribua para o fortalecimento da práxis educativa e para a proposição de estratégias pedagógicas que valorizem as especificidades socioambientais locais.