A Geografia Escolar contemporânea atravessa um momento de tensionamento epistemológico, no qual abordagens tradicionais são confrontadas pela necessidade de reconhecer novos sujeitos e saberes. Nesse cenário, a Geografia da Infância emerge não como um tema periférico, mas como um movimento que reconhece a criança como sujeito histórico-cultural e produtora de espacialidades legítimas. A presente pesquisa investiga de que maneira as práticas do brincar constituem formas de produção territorial infantil no espaço escolar de Teresina (PI), buscando compreender como as crianças subvertem as interdições físicas e simbólicas do cotidiano escolar e urbano. O objetivo geral é analisar as territorialidades infantis tecidas no brincar em uma escola pública e seu entorno, compreendendo as dimensões simbólicas, afetivas e espaciais como fundamentos para o ensino de Geografia. Os objetivos específicos buscam: i) identificar os espaços reconhecidos pelas crianças como territórios do brincar e de refúgio; ii) compreender as formas de apropriação simbólica e afetiva desses lugares por meio do brincar como prática social; iii) evidenciar os mapas vivenciais produzidos pelos sujeitos, desvelando significados e territorialidades presentes ou ausentes no cotidiano. Quanto aos aspectos metodológicos, a investigação assume caráter qualitativo e exploratório, fundamentada no diálogo interdisciplinar entre a Geografia da Infância, a Sociologia da Infância e a Psicologia Histórico-Cultural. O percurso metodológico ancora-se na ética da "pesquisa COM" crianças, utilizando dispositivos participativos como cartografias afetivas, foto-caminhadas e o "Meu Diário de Explorador(a) Geográfico(a)" como instrumentos de escuta e mediação. A etapa teórica e as observações preliminares sugerem que as "ilhas de calor" em Teresina atuam como barreiras socioespaciais que as crianças ressignificam por meio de táticas de resistência lúdica. A investigação propõe questões norteadoras que buscam desvelar como a vivência (perezhivanie) infantil pode nortear o ensino de Geografia, transformando o espaço escolar em um lugar de encontro entre a ciência e o vivido. Espera-se demonstrar que o reconhecimento da autoria espacial das crianças é fundamental para uma prática pedagógica situada, capaz de validar as geografias produzidas na infância.