A lógica fragmentária de produção espacial apresenta desafios para a vida urbana nas cidades, especialmente no âmbito da mobilidade espacial cotidiana, que integra a rotina diária de grande parte dos citadinos brasileiros. Dentre os processos espaciais de (re)produção do espaço urbano, a segregação socioespacial tem sido, ao longo dos anos, alvo de debates e discussões na comunidade acadêmica, cujas primeiras proposições surgiram na primeira metade do século XX, de forma limitada, pela Escola de Chicago, sob a ótica da Ecologia Humana. Sabe-se que os efeitos desse processo espacial repercutem principalmente na precarização da vida urbana nas dimensões da acessibilidade e da mobilidade urbanas, comprometendo o direito de acesso à cidade, o que se notou nesta pesquisa que analisa o processo de segregação socioespacial na zona Oeste da cidade de Timon (MA), entre os anos de 2009 e 2026. A referência empírica da pesquisa foram dois conjuntos habitacionais da Faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida, os residenciais Cocais I e II, na cidade de Timon, localizada no estado do Maranhão. A pesquisa utilizou como procedimentos metodológicos: 1) levantamento bibliográfico e documental; 2) trabalho de campo; 3) análise cartográfica. Os resultados evidenciam os contrastes espaciais no âmbito da mobilidade urbana entre essas espacialidades e as centrais. A separação espacial dos conjuntos habitacionais, aliada à concentração das atividades urbanas em áreas centrais e específicas de Timon, configura uma negação do direito à cidade, especialmente no que se refere à acessibilidade e à mobilidade urbanas. A redução drástica do número de ônibus em Timon, especialmente nos residenciais, entre 2025 e 2026, a partir do novo consórcio gerenciado pela prefeitura municipal, intensifica os contrastes socioespaciais, o que gera impactos significativos para o cotidiano dos citadinos e afeta os trabalhadores (formais e informais) e estudantes. Desse modo, esta pesquisa busca contribuir com os estudos sobre o processo de segregação em cidades brasileiras e reforça a necessidade de políticas públicas que ampliem não apenas o direito à moradia, mas, sobretudo, à acessibilidade e à mobilidade urbanas.