Esta dissertação investigou a exploração do potencial cartográfico nos livros didáticos de Geografia destinados aos anos finais do Ensino Fundamental, com o objetivo de compreender em que medida os mapas foram utilizados como recursos didáticos capazes de promover o desenvolvimento do pensamento geográfico. A pesquisa articulou a análise teórica, normativa, empírica e propositiva, estruturada em quatro capítulos complementares. Inicialmente, realizou-se um mapeamento do estado do conhecimento da cartografia escolar no Brasil, em busca de evidenciar a sua consolidação como campo científico e didático, bem como os debates contemporâneos que problematizam o uso tecnicista dos mapas e defendem sua compreensão como linguagem social e instrumento crítico de leitura do espaço. Em seguida, analisou-se a contribuição dos documentos normativos e do livro didático na organização do ensino de Geografia, com destaque para a Constituição Federal, a LDB, os PCN, a BNCC e o PNLD. Essa etapa evidenciou avanços na valorização da cartografia escolar, mas, também contradições decorrentes da centralização curricular, da padronização dos materiais e da dependência do livro didático como mediador do currículo. No terceiro capítulo, desenvolveu-se uma análise qualitativa e quantitativa de duas coleções de livros didáticos de Geografia: uma vinculada ao PNLD e outra utilizada na rede privada em foram examinados a presença, a distribuição e a função didática dos mapas, bem como sua associação a outros elementos gráficos e aos tipos de atividades propostas. Os resultados indicaram que, majoritariamente, os mapas são utilizados como recursos ilustrativos ou de apoio visual, com limitada exploração crítica e baixo estímulo ao raciocínio espacial complexo. O quarto capítulo apresentou uma proposta didática voltada à ressignificação do uso dos mapas, com fundamento na taxonomia de raciocínio espacial (entrada, processamento e saída). Foram elaboradas atividades que transformaram os mapas em instrumentos de análise, síntese e produção cartográfica, no sentido de favorecer o desenvolvimento da autonomia intelectual e da leitura crítica do espaço geográfico pelos estudantes. Como contribuição, a dissertação oferece subsídios teóricos, analíticos e metodológicos para a renovação da cartografia escolar, e reafirma o seu papel como linguagem fundamental da Geografia e como recurso científico e didático para a formação de sujeitos críticos, capazes de interpretar e intervir na realidade socioespacial.