A energia, em suas mais diversas formas, sempre representou um elemento fundamental para o desenvolvimento da humanidade. Com o advento da sociedade capitalista pós-industrial, a demanda energética aumentou de maneira significativa, o que, consequentemente, desencadeou uma série de impactos ambientais, entre os quais se destaca a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, em virtude da dependência da indústria em relação às chamadas fontes de energia não renováveis, como o petróleo e seus derivados. Diante desses impactos, emergiu a necessidade de repensar o modelo de produção capitalista, o que culminou na realização da Conferência de Estocolmo, em 1972, marco histórico no debate ambiental internacional, a partir da qual se consolidou o conceito de sustentabilidade. No tocante à produção e à geração de energia, a sustentabilidade se materializa por meio do uso de fontes renováveis, caracterizadas por sua maior abundância e por causarem menores impactos ao meio ambiente. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo geral analisar a(s) forma(s), função(ões), estrutura(s) e processo(s) associados à transição energética no espaço urbano de Teresina. Os objetivos específicos foram: i) relatar o processo histórico da sustentabilidade, destacando a evolução da matriz elétrica com ênfase nas fontes de energia renovável; ii) descrever o histórico da geração de energia no Brasil, Piauí e Teresina a luz da sustentabilidade, identificando os principais agentes envolvidos e os processos espaciais decorrentes de sua atuação; iii) espacializar a geração de energia solar fotovoltaica por meio da Geração Distribuída (GD) no perímetro urbano de Teresina, no período de 2012 a 2024; iv) discorrer as formas e os processos espaciais produzidos pela difusão da energia solar fotovoltaica na cidade de Teresina. Adotou-se o método dialético, cujo roteiro metodológico pautou-se na revisão bibliográfica e documental; na elaboração de gráficos, tabelas e mapas; e, por fim, na realização de trabalho de campo. Os resultados indicam que a expansão da Geração Distribuída (GD) solar fotovoltaica em Teresina consolidou-se como componente relevante da dinâmica energética urbana. A análise espacial revelou forte concentração das Unidades de Geração Distribuída Fotovoltaica (GDFV) em bairros de maior poder aquisitivo, evidenciando que a difusão da tecnologia está diretamente associada à capacidade de investimento. Dessa forma, a energia solar não altera a lógica territorial preexistente, mas se sobrepõe a ela, reproduzindo desigualdades socioespaciais. Nas áreas de menor renda, a presença da GD é limitada e geralmente vinculada a iniciativas pontuais, reforçando o caráter seletivo da transição energética. Embora amplamente difundida no discurso, a sustentabilidade energética urbana materializa-se sob predominância de racionalidades de mercado. Observou-se também a consolidação de um mercado especializado em sistemas fotovoltaicos, configurando novo segmento da economia urbana e introduzindo objetos técnicos à paisagem da cidade. À luz das categorias de forma, função, estrutura e processo, verificou-se que as UFVs já integram o tecido urbano, exercendo funções econômicas e estratégicas, como redução de custos e valorização imobiliária. Contudo, a estrutura urbana atua como filtro seletivo da difusão tecnológica, concentrando instalações em áreas mais capitalizadas. Conclui-se que a sustentabilidade energética urbana em Teresina, embora represente avanço técnico e ambiental, difunde-se de modo desigual, exigindo políticas públicas mais inclusivas para promover maior equidade no acesso às energias renováveis.