A resistência aos antimicrobianos constitui um importante problema de saúde pública mundial, comprometendo a eficácia das terapias disponíveis e estimulando a busca por novas estratégias capazes de contornar os mecanismos de resistência bacteriana. Entre os patógenos de relevância clínica, a espécie Staphylococcus aureus, destaca-se pela sua capacidade de adquirir mecanismos de resistência, incluindo a superexpressão de bombas de efluxo responsáveis pela extrusão de antimicrobianos e outros compostos, reduzindo suas concentrações intracelulares. Nesse contexto, produtos naturais e seus derivados sintéticos têm despertado interesse não apenas por sua possível atividade antibacteriana direta, mas também pela capacidade de atuar como adjuvantes de antimicrobianos. Este estudo teve como objetivo avaliar o potencial antibacteriano da Riparina B e investigar seu efeito adjuvante frente a antimicrobianos em cepas de S. aureus com resistência mediada por efluxo, utilizando-se a Riparina A como composto de comparação. Foram utilizadas as cepas K2068 (MepA), IS-58 (TetK), K4414 (QacA/B) e K4100 (QacC). A atividade antibacteriana foi determinada pelo método de microdiluição em caldo para obtenção da concentração inibitória mínima (CIM). Para investigação do efeito adjuvante, as riparinas foram testadas em concentração subinibitória correspondente a 1/4 da CIM, em associação com os agentes antimicrobianos avaliados, utilizando-se o verapamil como inibidor de efluxo de referência. Também foi realizada a predição in silico da farmacocinética das Riparinas A e B para estimar, por métodos computacionais, como essas moléculas provavelmente se comportariam no organismo. A Riparina B apresentou CIM ≥ 1024 μg/mL frente a todas as estirpes avaliadas, comportamento semelhante ao observado para a Riparina A, indicando ausência de atividade antibacteriana intrínseca relevante nas concentrações testadas. No entanto, concentrações subinibitórias de Riparina B contra S. aureus K2068 (msrA), potencializaram a ação da norfloxacina reduzindo os valores de CIM de 32 para 8 μg/mL; para a ciprofloxacina houve uma redução de 4 para 2 μg/mL e aumentou ação do brometo de etídio (EtBr) e do tetrafenilfosfônio (TPP) reduzindo os valores de CIM de 32 para 8 μg/mL e de 64 para 32 μg/mL, respetivamente. Para a cepa K4414 houve uma redução da CIM de 64 para 32 μg/mL com o EtBr e de 256 para 128 μg/mL quando combinada com o TPP. Os resultados obtidos até o momento demonstram que a Riparina B não apresenta atividade antibacteriana direta significativa frente às estirpes avaliadas, direcionando a investigação para seu potencial como molécula adjuvante frente a mecanismos de resistência mediados por efluxo.