O glioblastoma (GBM) é um dos tumores mais agressivos do sistema nervoso central, apresentando elevada capacidade proliferativa, heterogeneidade molecular, invasão do tecido cerebral, recorrência e resistência ao tratamento. A temozolomida (TMZ) constitui o principal agente quimioterápico utilizado no tratamento do GBM; entretanto, diferentes mecanismos estão associados à quimiorresistência, com destaque para o gene MGMT. Nesse contexto, o trabalho foi desenvolvido em duas abordagens complementares. A primeira corresponde a uma revisão sistemática destinada a reunir e analisar estudos experimentais que utilizaram estratégias baseadas em CRISPR para investigar mecanismos de 2 resistência ou promover sensibilização à TMZ em tumores cerebrais, considerando sistemas CRISPR, alvos moleculares, métodos de entrega e modelos experimentais. A busca resultou em 309 registros, dos quais 259 artigos únicos foram triados e 51 selecionados para leitura do texto completo. A revisão encontra-se em andamento. A segunda abordagem avaliará experimentalmente um sistema CRISPR/Cas9 direcionado ao knockout do gene MGMT na linhagem T98G. O sequenciamento de Sanger identificou duas variantes no gene MGMT, uma sinônima e uma missense, sem associação descrita com perda de função da proteína. O ensaio de viabilidade celular por MTT demonstrou CI₅₀ de 1507 µM para a TMZ, enquanto a citometria de fluxo e os esferoides 3D demonstraram alterações progressivas em resposta ao tratamento. O sgRNA direcionado ao éxon 3 apresentou indels detectáveis pelo ensaio de T7E1, e o pool de células transfectadas apresentou redução da CI₅₀ da TMZ de 1507 para 855,5 µM, o que corresponde a aproximadamente 43% de redução, sugerindo aumento da sensibilidade ao quimioterápico após a edição do MGMT. Entretanto, ainda é necessária a obtenção e caracterização de clones derivados de célula única para estabelecer de forma conclusiva a relação entre o knockout do MGMT e o aumento da sensibilidade à temozolomida.