A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) constitui um importante fator de risco cardiovascular e permanece
como desafio terapêutico, enquanto a nanotecnologia tem sido investigada como estratégia para otimizar
a liberação e a disponibilidade de fármacos. Nesse contexto, o propranolol, bloqueador não seletivo dos
receptores β-adrenérgicos, apresenta ação cardiovascular estabelecida, enquanto a zeína, proteína de
origem vegetal com propriedades favoráveis à formação de nanossistemas, representa uma alternativa
promissora como carreador farmacêutico. A presente dissertação teve como objetivo investigar o potencial
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da nanotecnologia aplicada à terapia anti-hipertensiva e avaliar, principalmente, os efeitos
cardiovasculares de nanopartículas de zeína contendo propranolol (NZ-PROP) em ratos
espontaneamente hipertensos (SHR). O trabalho foi organizado em dois capítulos, sendo o primeiro uma
revisão integrativa da literatura sobre aplicações de sistemas nanoestruturados na terapia anti-
hipertensiva e o segundo um estudo experimental in vivo de caráter inicial e exploratório. No estudo
experimental, ratos SHR (machos, com 20 semanas) receberam NZ-PROP (2,5 mg/kg), nanopartículas de
zeína vazias (NZ-VAZ), propranolol livre (2,5 mg/kg) em dose única avaliados por métodos indiretos e
diretos para análise da pressão arterial sistólica e diastólica, frequência cardíaca, parâmetros
hemodinâmicos, respostas cardiovasculares e autonômicas, como também para motilidade gástrica. As
análises experimentais evidenciaram redução da pressão arterial sistólica após a administração da NZ-
PROP e do Propranolol livre, através da Pletismografia de Cauda (PMC) realizada em 10 dias
consecutivos, enquanto a frequência cardíaca não apresentou alterações estatisticamente significativas.
Entretanto, as diferentes etapas do estudo demonstraram a necessidade de ajustes no protocolo
experimental, especialmente quanto às doses, composição dos grupos, frequência de administração e
períodos de avaliação, pois no método de registro dos parâmetros cardiológicos de maneira direta não
houve diferença estatística. Dessa forma, os achados devem ser interpretados como evidências
preliminares de um estudo piloto, não sendo suficientes para estabelecer conclusões definitivas sobre a
eficácia da formulação. O conjunto dos resultados contribui para a caracterização inicial do
comportamento cardiovascular da NZ-PROP e fornece subsídios para o refinamento metodológico e o
desenvolvimento de estudos futuros destinados à confirmação e à reprodutibilidade de seus efeitos.