O câncer colorretal apresenta alta propensão a metástases, especialmente no fígado, o que reduz drasticamente a sobrevida dos pacientes. Apesar dos avanços terapêuticos, ganhos como maior sobrevida e menor toxicidade permanecem limitados, reforçando a necessidade de estratégias farmacológicas mais eficazes no tratamento do CCR metastático no fígado. A fração proteolítica P1G10, obtida por cromatografia do látex de Vasconcellea cundinamarcensis, apresenta efeito antimetastático em melanoma murino B16F10, além de reduzir adesão, migração e invasão em diferentes linhagens tumorais. Este trabalho avaliou o efeito antimetastático da P1G10 na metástase hepática por carcinoma colorretal. Inicialmente, pelo teste de MTT, a fração reduziu a viabilidade de células de carcinoma colorretal murino CT26.WT, apresentando CC50 (concentração citotóxica para 50% da população celular) de 21,1 μg/mL após 72 h. A migração celular (teste de arranhadura em placa) foi significativamente reduzida pela P1G10 na concentração de 2,5 μg/mL. De maneira semelhante, a clonogenicidade de CT26.WT foi reduzida pelo pré-tratamento com P1G10 nas concentrações de 1,5 e 2,5 μg/mL por 24, 48 e 72 h. Em modelo murino de metástase hepática, a administração subcutânea de P1G10 nas doses de 3 e 5 mg/kg reduziu significativamente o escore metastático e promoveu sobrevida de 50% e 100%, respectivamente, nos animais tratados (33 % para o grupo controle). Além disso, nessas mesmas doses, a P1G10 aumentou a massa corporal total dos animais, sem alterar significativamente a massa do pulmão, rins e coração. Em conjunto, esses achados demonstram o efeito antimetastático da P1G10 em modelo murino de metástase hepática, em parte mediado pela redução da migração e da clonogenicidade celular. Além disso, a fração promove aumento da sobrevida animal e apresenta segurança toxicológica nos parâmetros analisados