As diversidades sexuais juvenis na universidade, em articulação com políticas de cuidado, ações afirmativas e práticas de resistência, constituem o eixo estruturante desta tese. O estudo analisa como o Observatório das Infâncias e Juventudes na Educação (OBIJUVE), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd/UFPI), consolidou-se, em duas décadas, como território-abrigo e espaço de produção de resistências voltadas à construção de uma Educação Inclusiva e de uma ciência interseccional. Os objetivos específicos consistem em: (I) mapear o inventário das produções acadêmicas do OBIJUVE, analisando como esses corpo-textos sistematizam as diversidades sexuais, as performances e as políticas de cuidado no contexto universitário; (II) analisar a historicidade e as visualidades do grupo mediante a escavação de artefatos digitais no Instagram e Facebook, identificando como tais performances configuram o abrigo e a produção científica; e (III) problematizar as tensões e torsões entre a produção textual e as práticas de cuidado materializadas nas linguagens audiovisuais, evidenciando como esta articulação forma pesquisadoras(es) comprometidos com uma ética interseccional. Metodologicamente, a investigação ancora-se na corpo-metodologia, abordagem híbrida que articula a cartografia documental aos princípios da Sociopoética, compreendida como prática coletiva, sensível e política. O recorte temporal abrange o período de 2012 a 2026, marco de consolidação do OBIJUVE como espaço acadêmico-político. Diante do vasto acervo institucional, selecionaram-se trabalhos com centralidade nas diversidades sexuais, resultando na análise de quatro dissertações de mestrado e duas teses de doutorado, além de artefatos digitais vinculados ao Observatório. Repositório Institucional da UFPI. A produção dos dados ocorreu por meio da escavação cartográfica de corpo-textos, imagens, vídeos e narrativas digitais, compreendidos como artefatos vivos. Cada capítulo constitui uma performance analítica na qual o corpo-pesquisador se implica nos processos de afetação e escrita, recusando a neutralidade científica. Os resultados indicam que, embora a universidade permaneça como um território de violências sistêmicas e interdições aos corpos LGBTQIA+, o OBIJUVE institui-se como uma fissura ética que produz uma ciência expandida em visualidades e práticas de cuidado. Conclui-se que esta experiência coletiva amortece o impacto do descarneamento institucional e fortalece a formação de intelectuais sensíveis às interseccionalidades, comprometidos com a invenção de outros modos de existir no ensino superior.