A presente pesquisa de Mestrado está vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd – UFPI), na linha de pesquisa de Educação, Diversidade/Diferença e Inclusão, apresentando como objeto de estudo as “Guardiãs de Saberes do Piauí: Fazeres educativos e afetos das matriarcas Dona Depa e Chica Lera”. Traz como objetivo geral: Compreender os fazeres, saberes e afetos dessas mulheres, a partir de suas narrativas matriarcais advindas da tradição oral. Especificamente, objetiva-se: Mapear mulheres guardiãs e suas histórias de vida em comunidades do Piauí, observando seus fazeres educativos, saberes e afetos; Identificar características matriarcais de Dona Depa e Chica Lera, a partir de seus fazeres, saberes e afetos, descritos em suas oralidades; Analisar nas oralidades dessas mulheres Guardiãs a relação dos processos de transmissão com o fortalecimento do sentido de pertencimento comunitário; Criar dispositivos artísticos e pedagógicos, a partir de suas oralidades, como ferramentas de reparação histórica. Para compreender as dinâmicas em que se desenrolam as existências das matriarcas, usou-se como metodologias a Cartografia (Deleuze; Guattari,1995) em confluência com a História oral (Thompson,1992) e as Oralituras de Leda Maria Martins (2003) para o processo de análise das narrativas, pois entende-se que as participantes não se configuram como objeto de pesquisa e sim como vidas em processo de construção de sua historicidade. Na técnica de produção de dados, fez-se uso do dispositivo da Contação de história com o conto “A mulher, o poço e a estrada, de autoria da pesquisadora. Nesse processo cartográfico, foi feito o mapeamento dos territórios da pesquisa o Quilombo Curral Velho, município de São João do Piauí, onde vive Dona Depa (97 anos) e a Comunidade Rural Fortaleza IV, município de Esperantina, onde vive Chica Lera (86 anos). Entende-se a pesquisa como campo rizomático, cujo corpo e território dessas mulheres matriarcas e suas comunidades, se manifestam em multiplicidade, impossibilitando visões lineares em busca de respostas e conceitos pré-determinados. Assim, as fontes da pesquisa divergem da visão eurocêntrica, superando barreiras colonizadoras, tendo como paradigmas teóricos Hampâté Bâ (1999), Oliveira (2018), Carneiro (2023), Kilomba (2019), Bispo (2019), Fanon (2022), Santos (2010), Souza; Boakari (2013), Sodré (2002), Hooks (2017; 2023), Crenshaw (2002), González (1984), Silva (2020), Sousa (2020), Mbembe (2013), Vaz e Ramos (2021), Deleuze e Guattari (1995), Kastrup (2015) e Martins (2003), além de outros nomes que trilham a mesma perspectiva epistemológica. Ao registrar as oralidades de mulheres negras matriarcas de comunidades tradicionais piauienses, identificou-se saberes invisibilizados com os quais pode-se aprender a partir de suas trajetórias, atravessando dor e sofrimento, mas enaltecendo a potência insurgente de seus saberes, fazeres educativos e afetos. A pesquisa revela que as matriarcas Dona Depa e Chica Lera foram capazes de criar modos de viver em equilíbrio com a natureza e sua ancestralidade, em qualquer que fossem as condições existenciais, seus corpos seguem fazendo história e produzindo modos de resistência, subvertendo a lógica da colonialidade do saber, do poder, do ser. A potência dessas mulheres em suas oralidades matriarcais carrega o compartilhamento de ideias e sonhos, que o cotidiano faz enrramar pelo seio da comunidade, comovendo seus pares e fazendo nascer um sentido de pertencimento comunitário, um lugar político de expressão de suas forças de liderança matriarcal.