A alfabetização de crianças constitui um dos maiores desafios da educação brasileira, especialmente diante das desigualdades sociais e educacionais que atravessam o contexto escolar. Nesse cenário, a prática pedagógica alfabetizadora assume papel fundamental na garantia do direito à alfabetização, uma vez que mobiliza saberes e fazeres construídos na formação e na experiência docente. Esta pesquisa teve como objetivo analisar como a prática pedagógica de professoras alfabetizadoras que atuam no 1º e 2º ano do Ensino Fundamental se constitui como espaço de saberes e fazeres para a garantia da alfabetização de crianças. Fundamenta-se na perspectiva da alfabetização articulada ao letramento, dialogando. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratório-descritiva, realizada em uma escola pública do município de Castelo do Piauí-PI, a Unidade Escolar Vereador Waldemar Sales. A produção dos dados ocorreu por meio de pesquisa de campo em que utilizou-se as entrevistas semiestruturadas para produzir os dados com seis professoras alfabetizadoras. Os dados foram analisados com base na Análise de Conteúdo, na modalidade temática, proposta por Bardin. Os resultados evidenciam que a prática pedagógica alfabetizadora é construída na articulação entre os saberes da formação inicial e continuada, os conhecimentos produzidos na experiência profissional e os fazeres desenvolvidos no cotidiano da sala de aula. As narrativas das participantes revelam que a leitura diária, o planejamento, a ludicidade, a mediação pedagógica, a flexibilidade das estratégias de ensino e o compromisso com a aprendizagem das crianças constituem elementos centrais da prática alfabetizadora. Também foram identificados desafios relacionados à inclusão, à participação das famílias, às condições de trabalho e à escassez de recursos pedagógicos, aspectos que exigem constante ressignificação da prática docente. Conclui-se, ainda que de forma parcial, que a prática pedagógica alfabetizadora ultrapassa a dimensão técnica do ensino da leitura e da escrita, configurando-se como um espaço de construção de saberes, de reflexão permanente e de compromisso com a garantia do direito à alfabetização de todas as crianças.