A ejaculação prematura apresenta uma prevalência entre 5 e 15%, descrita como uma ejaculação que ocorre dentro de um período muito curto após a penetração vaginal ou outra estimulação sexual relevante. A mensuração do tempo de latência ejaculatória é frequentemente utilizada na prática clínica e a ultrassonografia é uma ferramenta não invasiva que permite avaliar a mobilidade muscular envolvida. Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre o tempo de latência ejaculatória e mobilidade dos músculos do assoalho pélvico masculino por meio da ultrassonografia transperineal. Trata-se de um estudo transversal, envolvendo homens na faixa etária de 18 e 45 anos. Foram utilizados os instrumentos Ferramenta de Diagnóstico da Ejaculação Prematura (PEDT), Critérios de Roma IV, Escala de Bristol, o Inventário de Saúde Sexual Masculina para a triagem. Realizou-se avaliação clínica e ultrassonografia transperineal para verificar a mobilidade de músculos e órgão pélvico. As medidas sobre o tempo de latência ejaculatória foram autorrelatadas para as vias de estimulação intravaginal, anal, oral e masturbatória. Os dados foram processados no SPSS 21.0, empregando estatística descritiva, teste de normalidade Shapiro-Wilk, teste comparativo Mann-Whitney, teste de Correlação de Spearman, com nível de significância estatística de p < 0,05. Foram incluídos 50 participantes com mediana de idade de 24 anos (19-32). O estudo identificou uma correlação negativa entre tempo de latência ejaculatória masturbatória e o deslocamento muscular em P2 (ρ = -0,350; p = 0,013). Associações entre P1-P2 (ρ = 0,689; p = 0,001) e P4-P5 (ρ = 0,448; p = 0,001). A gravidade segundo as pontuações no PEDT e mobilidade apresentou uma correlação negativa em P3, que representa o esfíncter uretral externo (ρ = -0,296; p = 0,037). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas (p > 0,05) nas medidas ultrassonográficas avaliadas de P1-P5 para os tempos de latência ejaculatória intravaginal, intra-anal ou intra-oral. Os achados deste estudo indicam uma associação fraca entre menores tempos de latência ejaculatória durante a masturbação e maior deslocamento da junção uretrovesical dorsal (P2), em jovens predominantemente saudáveis. Outra associação fraca corresponde à redução do deslocamento do músculo esfíncter uretral externo e ao aumento da gravidade da EP pelo PEDT. Associações moderadas estão presentes nos deslocamentos paralelos de P1 e P2, e entre P4 e P5, demonstrando sinergia biomecânica dos músculos puborretal e bulboesponjoso.