Introdução: a adolescência, compreendida entre as idades de 10 a 19 anos, caracteriza-se por uma fase de intensas transformações biopsicossociais. O bullying, considerado problema de saúde pública, representa fator de risco no desencadeamento de sintomas ansiosos. Objetivo: analisar a prevalência do bullying e sua relação com sintomas de ansiedade em adolescentes no ambiente escolar. Método: trata-se de estudo transversal, analítico, de abordagem quantitativa, integrante de um macroprojeto multicêntrico desenvolvido em escolas públicas vinculadas ao Programa Saúde na Escola, nos municípios de Teresina-PI, Parnaíba- PI, São Luís-MA, Natal-RN e Juazeiro do Norte-CE. A amostra foi composta por 294 adolescentes, de ambos os sexos, com idade entre 15 e 19 anos. A coleta de dados ocorreu entre outubro e novembro de 2025, por meio da aplicação de três instrumentos: questionário sociodemográfico e econômico, Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (EDAE-A/DASS-21) e Escala Califórnia de Vitimização do Bullying (ECVB). Realizou-se análise descritiva com frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas e mediana com intervalo interquartil para variáveis numéricas. A associação entre bullying e sintomas ansiosos foi testada por meio do qui-quadrado de Pearson, com cálculo do V de Cramer. Para comparação dos escores de ansiedade segundo a classificação de vitimização, utilizou-se o teste de Kruskal- Wallis seguido de pós-teste de Dunn. As comparações dos escores segundo variáveis sociodemográficas utilizaram os testes de Mann-Whitney ou Kruskal-Wallis, conforme o número de categorias. Adotou-se nível de significância de 5%, utilizando a linguagem Python (versão 3.12). O projeto foi autorizado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Piauí, com parecer de número 7.759,294. Resultados: os estudantes apresentaram idade prevalente de 18 anos (36,7%), autodeclarados pardos (51%), cursando o 2o ano do ensino médio (34,4%), morando com ambos os pais (49%), predominantemente no sexo masculino (49,7%), heterossexuais (72,4%), quanto ao trabalho, 75,2% não trabalham e 25,9% referem renda familiar menor que um salário; o estudo mostrou uma prevalência de bullying de 29,9%, apresentando associação com ansiedade classificadas: leve (19,1%), moderada (33,3%), severa (54,5%), extremamente severa (62%). Verificou-se associação estatística entre a vitimização por bullying e sintomas de ansiedade na variável sexo, sendo que o feminino apresentou os escores mais elevados e maior intensidade dos sintomas ansiosos. Conclusão: os resultados ressaltam a importância de estratégias intersetoriais de prevenção e enfrentamento do bullying, visando à promoção da saúde mental e ao fortalecimento de ambientes escolares mais seguros e acolhedores. Espera-se que esta pesquisa ofereça contribuições relevantes nos âmbitos científico, social e educacional, especialmente no que se refere às políticas de saúde direcionadas à promoção do bem-estar de adolescentes acompanhados pela Estratégia Saúde da Família.