Introdução: Os trabalhadores rurais estão frequentemente expostos a condições de trabalho adversas que podem contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde, especialmente sintomas osteomusculares. Esses sintomas podem comprometer a funcionalidade, a qualidade de vida e a capacidade para o trabalho. Objetivo: Analisar as condições de saúde e a funcionalidade de trabalhadores rurais, com ênfase nos sintomas osteomusculares, e desenvolver material educativo voltado à prevenção dessas condições. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado com trabalhadores rurais com idade entre 60 e 75 anos, envolvidos em atividades agrícolas no município de Nossa Senhora de Nazaré, Piauí, Brasil. Foram entrevistados 80 participantes, dos quais 6 foram excluídos após a aplicação do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), resultando em uma amostra final de 74 participantes. Foram utilizados questionário sociodemográfico, Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO) e World Health Organization Disability Assessment Schedule 2.0, versão de 36 itens (WHODAS 2.0-36). Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de sintomas osteomusculares em pelo menos uma região corporal nos últimos 12 meses foi de 90,5%. Os joelhos apresentaram maior frequência de sintomas (68,9%), seguidos por quadril/coxas e tornozelos/pés (67,6% cada), além de elevada ocorrência na coluna torácica/dorsal e lombar. A funcionalidade apresentou maior comprometimento no domínio mobilidade, com mediana de 40,0%, enquanto o escore total do WHODAS 2.0 apresentou mediana de 20,14%. Observou-se correlação positiva e de baixa magnitude entre o número de regiões corporais com impedimento e o escore total de funcionalidade (ρ=0,2446; p=0,0357). As análises exploratórias identificaram associações entre a presença de sintomas e gênero, escolaridade, ocupação, função no campo, jornada de trabalho e frequência de pausas; entretanto, essas associações não permaneceram estatisticamente significativas no modelo multivariado. Conclusão: Os achados evidenciam elevada ocorrência de sintomas osteomusculares entre os trabalhadores rurais estudados, com destaque para os membros inferiores e coluna vertebral, além de maior dificuldade funcional relacionada à mobilidade. Os resultados reforçam a necessidade de ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e educação em saúde direcionadas às especificidades do trabalho rural.