Introdução: O Diabetes Melitus tipo 2 (DM2) é uma doença grave, crônica, que ocorre quando o corpo não consegue produzir insulina suficiente ou não consegue utilizar eficazmente a insulina que produz. Ela é responsável por mais de 90% dos casos em todo o mundo, com alta prevalência global e considerada um grave problema de saúde pública. Seu tratamento envolve desde terapia medicamentosa a mudanças no estilo de vida, impondo desafios significativos que podem impactar diretamente na saúde mental das pessoas acometidas. Objetivo geral: Analisar o sofrimento emocional e a adesão às práticas de autocuidado em adultos com Diabetes Mellitus tipo 2. Método: Trata-se de pesquisa quantitativa, realizada na Unidade Básica de Saúde do município de Floriano-PI, no período de julho a agosto de 2025. Foram utilizados três instrumentos: questionário sobre perfil sociodemográfico e condições de saúde, questionário versão brasileira da escala Problem Areas in Diabetes (B-PAID) e questionário de atividades de autocuidado com o Diabetes (QAD). A amostra foi censitária, composta por 52 adultos, de ambos os sexos, portadores de Diabetes Mellitus tipo 2 e cadastrados na referida unidade de saúde. A análise dos dados incluiu estatística descritiva, inferencial, teste de correlação de Spearman para avaliar a associação entre as variáveis. Resultados: A amostra foi predominantemente feminina (61,5%), de baixa renda (61,5%) e com alta prevalência de neuropatia diabética (74,2%). As práticas de autocuidado foram heterogêneas: o uso de medicação e os cuidados com os pés apresentaram boa adesão, enquanto a monitorização glicêmica, a atividade física regular e a alimentação saudável tiveram menores médias de adesão. A maioria dos participantes apresentou baixo sofrimento emocional (escore médio global do B-PAID 20,02). Observou-se correlação negativa significativa entre os escores do sofrimento emocional (escala B-PAID) e adesão a alimentação geral; por outro lado uma correlação positiva entre atividade física e adesão medicamentosa. Discussão: os achados corroboram que o sofrimento emocional atua como uma barreira específica ao controle dietético no DM2. A heterogeneidade na adesão às práticas de autocuidado, aliada ao perfil socioeconômico desfavorável da amostra, indica que intervenções na APS devem integrar suporte emocional, educação em saúde adaptada e estratégias para redução de iniquidades, visando um cuidado integral. Conclusão: O estudo demonstra que o manejo do DM2 na APS é complexo, com a interação de diversos fatores clínicos, psicossociais e sociais. A confirmação da relação entre sofrimento emocional e baixa adesão alimentar demonstra a necessidade da avaliação do sofrimento emocional nas práticas assistenciais da APS. A promoção do 8 autocuidado e a prevenção de complicações nesta população devem estar adaptadas à realidade socioeconômica.