A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para o Sistema Único de Saúde no Brasil, e tem como estratégia prioritária a Saúde da Família que utiliza uma tecnologia de informação e comunicação para a eficiência e a qualidade dos serviços prestados, o Sistema e-SUS APS. O e-SUS APS apresenta-se como uma importante ferramenta para as equipes de saúde, tanto para a assistência quanto para a gestão, e possui o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) como uma das funcionalidades que possibilita o planejamento e qualidade do cuidado, contribui para a organização dos fluxos assistenciais e permite a comunicação interprofissional na UBS e entre os pontos das Rede de Atenção à Saúde. No entanto a interoperabilidade do PEC com outros serviços de saúde, apresenta desafios significativos, desde a necessidade de padronização, investimento em tecnologia, treinamentos e segurança de dados. Diante disso, o presente estudo partiu da seguinte questão norteadora: qual os sentidos e significados a partir das experiencias dos gestores e profissionais de saúde da Estratégia Saúde da Família sobre a interoperabilidade do PEC entre a Atenção Primária e os Centros de Atenção Psicossocial CAPS? O objetivo desse trabalho foi compreender estes sentidos e significados dos sujeitos da pesquisa, especificamente descrever essa compreensão dos participantes através da realidade social pesquisada, traçar a linha de cuidado entre APS e CAPS identificada na realidade profissional, além de analisar soluções técnico-administrativas e os processos formativos que potencializariam a interoperabilidade do PEC entre a Atenção Primária e o CAPS. Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória, com abordagem qualitativa, desenvolvida no município de Campo Maior com 12 profissionais de saúde atuantes na Estratégia Saúde da Família e gestores de saúde do referido município. Os dados foram obtidos por meio de entrevista semi estruturada composta por questões objetivas e subjetivasrealizadas entre abril e maio de 2026. Para análise, utilizou-se a técnica de Conteúdo proposta por Bardin, que permitiu interpretar, categorizar as informações obtidas de forma sistemática e objetiva, utilizando como estrutura as etapas de pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados e interpretação. Os resultados indicaram a APS como porta de entrada e coordenadora do cuidado. Contudo, revelaram uma fragmentação na linha do cuidado entre APS e CAPS expondo fragilidades na articulação desses serviços. Os achados sugeriram a interoperabilidade do PEC como uma ferramenta estratégica para continuidade e integralidade do cuidado, bem como apontou a integração e centralização sistêmica, capacitações, matriciamentos e segurança de dados, como estratégias e desafios para contribuir e consolidar um sistema informatizado integrado, resolutivo e seguro. Conclui- se que o avanço para superar a fragmentação do cuidado e garantir a continuidade do projeto terapêutico entre a Atenção Primária e o CAPS exige uma padronização tecnológica através da interoperabilidade da informação, utilizando o Prontuário Eletrônico do Cidadão nos diversos setores de saúde. O sistema informatizado e unificado no Serviço Único de Saúde viabilizará o compartilhamento seguro das informações e possibilitará para Estratégia Saúde da Família integração entre o território e os demais serviços, permitindo a continuidade, integralidade e longitudinalidade do cuidado.