A presente pesquisa investiga a razão de ser da perda de sentido da educação para os estudantes de filosofia do ensino médio à luz do pensamento arendtiano. Parte-se da compreensão de que a escola, embora constitua um espaço de formação humana e de inserção das novas gerações no mundo comum, enfrenta desafios que podem enfraquecer sua dimensão formativa, especialmente quando a experiência escolar se distancia da realidade dos estudantes e o conhecimento passa a ser percebido predominantemente por sua utilidade imediata. A pesquisa, de abordagem qualitativa e interpretativa, fundamenta-se no pensamento de Hannah Arendt, especialmente nas categorias de natalidade, responsabilidade, liberdade, pluralidade, mundo comum e amor mundi. A investigação teórica articula-se a uma ação didático-filosófica desenvolvida com estudantes do 1o e do 2º ano do Ensino Médio, organizada a partir de vivências e observações de situações do cotidiano escolar, no cotidiano das aulas, em pequenos grupos e em rodas de conversa. A descrição e a análise dessa ação assumem a forma de um relato de experiência, considerando as situações vivenciadas pelo professor-pesquisador-participante, durante seu desenvolvimento. Busca-se, com essa experiência, compreender aspectos relacionados ao sentido atribuído pelos estudantes à escola, ao conhecimento, ao futuro e à responsabilidade deles diante do mundo que compartilham. A pesquisa interroga sobre o que tem ocasionado a perda de sentido da educação, fenômeno perceptível no Ensino de Filosofia, e vem mostrando que tal perda não pode ser atribuída exclusivamente ao desinteresse dos estudantes ou às práticas pedagógicas, mas precisa ser compreendida em relação a fatores sociais, institucionais e educacionais, bem como ao enfraquecimento das relações com o conhecimento, com a responsabilidade e com o mundo comum. Nesse percurso, propõe-se pensar a experiência do cotidiano como dispositivo filosófico, tomando situações concretas vivenciadas pelos estudantes como ponto de partida para a problematização, o diálogo e o exercício do pensamento. Espera-se, assim, contribuir para a compreensão da crise de sentido da educação e para a reflexão sobre possibilidades de ressignificação da experiência escolar por meio do ensino de Filosofia.