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Banca de DEFESA: LOURIVAL DA SILVA BURLAMAQUI NETO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LOURIVAL DA SILVA BURLAMAQUI NETO
DATA: 21/08/2015
HORA: 09:00
LOCAL: Sala de Video II - CCHL
TÍTULO:

O Realismo no Canto V de Os Lusíadas


PALAVRAS-CHAVES:

Os Lusíadas. Mímesis. Decoro. Emulação. Realismo.


PÁGINAS: 141
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO:

Este trabalho investiga como ocorre a representação da realidade no canto V de Os Lusíadas. Parte-se da hipótese de que o realismo dessa passagem provém de uma mímesis e do decoro, enquanto o abrandamento do teor realista é oriundo da emulação de autores clássicos. Sustenta-se que o emprego de cada um desses três traços estilísticos possuía motivações sociais. Assim, a mímesis estabelecia vínculos entre o quadro ficcional descrito e a realidade empírica porque visava enfocar as dificuldades superadas pelos nautas apresentados, elencando suas posturas à condição de modelo a ser seguido pelos leitores coevos. Dessa forma, o afã mimético no texto camoniano permitia a manutenção de uma antiga função do texto épico: ser o repositório no qual os membros de uma sociedade ou de uma tribo encontravam os comportamentos exemplares que deveriam copiar. O decoro, por sua vez, uma espécie de adequação discursiva entre o poema e as opiniões oficiais que vigoravam no contexto em que esse fora escrito, era condição necessária, nas sociedades monárquicas, ao manuseio das matérias históricas. Esse amoldamento era obrigatório porque o poeta, tratando de um episódio pertencente ao passado do reino, deveria endossar pontos de vista já aceitos pela corte sobre essa ocorrência, não podendo retratá-la segundo os devaneios de sua imaginação sob o risco de ser considerado mentiroso e incongruente. Ao descrever as minúcias de uma viagem marítima, mimetizando-as textualmente, enquanto encarecia os protagonistas dessa travessia, e ao colher o conteúdo de sua narrativa nas crônicas de historiadores lusitanos caracterizadas pela exposição detalhada de povos e terras desconhecidas, Camões concedeu ao canto V de Os Lusíadas um realismo flagrante. Inserido em uma sociedade de corte, o poeta português também devia emular padrões narrativos encontrados nos textos clássicos, legitimando à audiência sua condição de poeta engenhoso. Nos trechos em que essas cadências textuais e modelos ornamentais são imitados, o realismo do canto V arrefece. Dessa forma, o primeiro capítulo dessa dissertação discute o conceito de mímesis e apresenta como o teor mimético se faz presente em Os Lusíadas. O segundo capítulo delineia as definições de emulação e decoro, demonstrando que essas categorias estavam associadas com o contexto monárquico, e apresenta a funcionalidade do poema épico nessas sociedades. O terceiro capítulo, por sua vez, apresenta trechos do canto V, averiguando como o decoro e a mímesis corroboram para o realismo da passagem, enquanto a emulação ocasiona a recusa desse desígnio.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1550705 - LUIZIR DE OLIVEIRA
Presidente - 1630720 - MARIA ELVIRA BRITO CAMPOS
Externo à Instituição - MÁRCIO RICARDO COELHO MUNIZ - UFBA
Notícia cadastrada em: 05/08/2015 14:35
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