O crescimento da taxa de ocupação do solo altera a área e reduz a vegetação natural,
resultando em maior escoamento de água da chuva. Isso afeta o ciclo hidrológico e pode
causar problemas na drenagem urbana. A gestão integrada do manejo dos resíduos sólidos
com a drenagem urbana, assim como o cuidado com a incidência das doenças de veiculação
hídrica, fortalece a drenagem urbana sustentável, contudo, faz-se necessário verificar a
receptividade social para implantação de critérios técnicos para uma proposta de inserção de
elementos, voltados para aumentar o volume de infiltração das águas pluviais no solo. Esse
trabalho tem como objetivo estimar a redução do pico de vazão das chuvas com o uso de
metodologias LIDs no município de Teresina-Piauí. Para a pesquisa foram realizadas
entrevistas com órgãos gestores responsáveis pelo manejo dos resíduos sólidos e pela
drenagem urbana do município, para conhecer a situação atual da gestão para manejo das
águas urbanas e dos resíduos sólidos. Também foi aplicado questionário para a comunidade
acadêmica da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a fim de verificar como essas pessoas
foram afetadas por problemas relacionados à drenagem urbana e sua disposição para
contribuir junto à gestão municipal na busca por alternativas que possam minimizar os
impactos. A análise do Plano Diretor de Drenagem Urbana e o Plano Municipal de
Saneamento Básico ocorreu para avaliar o grau de prioridade da ampliação do sistema de
drenagem. Além disso, informações sobre doenças relacionadas à água foram coletadas da
Fundação Municipal de Saúde (FMS) do município. Foram selecionados seguintes
equipamento LIDs: telhado verde, pavimento permeável e a trincheira de infiltração. Eles
foram aplicados nas sub-bacias indicadas como prioridade, utilizando 5%, 10% e 15% da área
total da sub-bacia. A redução do pico de vazão foi igual para todas as técnicas, variando
apenas conforme a área. A redução para utilização de 5% de área LID ficou entre 3,44% a
5%, com 10% de LID variou de 7,01% a 10% e com 15% de área LID a redução foi de 10,7%
a 15%. As respostas do questionário identificaram os bairros com problemas de drenagem.
Foram selecionados para simulação os bairros sem projetos existentes ou planejados: o bairro
Ininga na zona Leste, situados nas sub-bacias PD08, PD09 e PD10; os bairros Ilhotas e
Primavera na zona Norte, que estão nas sub-bacias PE12, PE13, PE16, PE17 e PE18; e os
bairros Angelim, Bela Vista, Lourival Parente e Santo Antônio na zona Sul, situados nas sub-
bacias P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, PE1, PE3, PE5, PE6, PE8, PE7, PE9 e PE11. A
pesquisa mostrou, também, boa aceitação da população a respeito da implantação de medidas
sustentáveis de drenagem, onde a 81,86% manifestou estar disposta à inserção de dispositivos
de retenção e infiltração das águas pluviais em suas residências. O trabalho ainda relacionou o
mês com maior incidência de doenças com o período chuvoso. Concluiu-se necessário
fortificar a integração das gestões públicas promovendo políticas públicas que estimulem a
inserção de dispositivos sustentáveis.