A qualidade física de Latossolos tropicais altamente intemperizados é condicionada pela interação entre matéria orgânica, fração mineral fina e reorganização do sistema poroso ao longo do tempo de manejo. Este estudo avaliou a evolução estrutural de um Latossolo Amarelo do Cerrado nordestino sob quatro condições de uso (0, 12, 18 e 24 anos de cultivo mínimo), ao longo de 0–0,50 m de profundidade. Foram determinados carbono orgânico total (COT), densidade do solo, porosidade total, macro e microporosidade, estabilidade de agregados (MWD, WSA e PSA), óxidos de ferro (Gt e Hm) e o Índice Estrutural do Solo (SI). Os dados foram analisados por modelo linear misto e correlação. O tempo de manejo promoveu aumento do COT e melhoria da estabilidade de agregados nas camadas superficiais, indicando reorganização estrutural associada à interação entre matéria orgânica e óxidos de Fe. Entretanto, a resposta foi verticalmente heterogênea, com persistência de limitações em subsuperfície, especialmente relacionadas à macroporosidade e à densidade do solo. Apesar dos avanços em indicadores individuais, o SI permaneceu abaixo do limiar crítico nas áreas cultivadas. A abordagem integrada adotada demonstra que a qualidade física do solo deve ser avaliada por múltiplos indicadores, evidenciando que a recuperação estrutural em Latossolos tropicais é gradual, não linear e dependente do histórico de manejo.