A intensificação agrícola no Cerrado tem alterado a funcionalidade física de Latossolos sob cultivo mínimo prolongado. Este estudo avaliou os efeitos de diferentes tempos de adoção do cultivo mínimo (12, 18 e 24 anos) sobre a qualidade física de um Latossolo Amarelo distrófico, tendo vegetação nativa de Cerrado como referência. Amostras foram coletadas desde a superfície do solo até 0,5 m de profundidade para determinação da estabilidade de agregados, porosidade, densidade, resistência à penetração, carbono orgânico total e dos índices S e de estabilidade estrutural. A qualidade física apresentou acentuada estratificação vertical. O cultivo mínimo manteve a estabilidade estrutural na superfície (DMG entre 2,01–2,24 mm), mas reduziu a macroporosidade. A principal restrição estrutural ocorreu na camada intermediária (0.1–0.3 m), onde a densidade atingiu ~1,60 g cm⁻³ e a resistência à penetração aproximou-se dos limites críticos após duas décadas de uso. Em subsuperfície (0.3–0.5 m), a menor qualidade associou-se a fatores pedogenéticos. O carbono orgânico total apresentou forte estratificação, evidenciando seu papel na funcionalidade estrutural. Os índices S e SI permitiram distinguir alterações induzidas pelo manejo das limitações naturais. Embora o cultivo mínimo favoreça as condições superficiais, a persistência de restrições mecânicas em subsuperfície limita a sustentabilidade física de longo prazo. A persistência de restrições mecânicas em subsuperfície, mesmo sob cultivo mínimo, evidencia a necessidade de estratégias complementares (plantas de cobertura com sistema radicular profundo e manejo do tráfego) para assegurar a sustentabilidade física de longo prazo do solo.