As mudanças climáticas, especialmente o aumento da temperatura média global, representam uma ameaça significativa à agricultura, afetando o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das plantas. Dentre as culturas impactadas, destacam-se as pimenteiras do gênero Capsicum, cujas respostas ao estresse térmico têm despertado interesse crescente na comunidade cientifica. Assim, objetivou-se analisar o panorama das pesquisas sobre a tolerância de pimenteiras ao estresse térmico e avaliar acessos com potencial ornamental quanto à tolerância às altas temperaturas. No primeiro capítulo, realizou-se análise bibliométrica com base em publicações indexadas nas bases de dados Scopus ® e Web of Science™, utilizando o pacote estatístico Bibliometrix no programa R. Foram identificados 85 documentos publicados entre 1989 e 2024. Observou-se aumento expressivo no número de estudos nos últimos seis anos, com ênfase em temas sobre mecanismos bioquímicos, fisiológicos e moleculares relacionados à tolerância ao calor. Seis periódicos se destacaram pelo volume de publicações e impacto, entre eles “Frontiers in Plant Science”, “International Journal of Molecular Sciences” e “Journal of Experimental Botany”. Os países com maior produção científica sobre o tema foram a China e os Estados Unidos. Apesar da relevância global do tema, verificou-se escassez de estudos direcionados para pimenteiras ornamentais, bem como a ausência de pesquisas brasileiras, evidenciando a necessidade de mais estudos voltados ao desenvolvimento de cultivares adaptadas ao calor, especialmente parautilização na floricultura. No segundo capítulo, avaliou-se a tolerância às altas temperaturas de seis acessos de pimenteiras com potencial ornamental (Capsicum annuum L.), oriundos do Banco de Germoplasma de Capsicum da Universidade Federal do Piauí. Dois experimentos foram conduzidos simultaneamente em telados com temperaturas distintas, entre abril e novembro de 2024, em delineamento inteiramente casualizado, com dez repetições. Foram analisados descritores morfológicos e agronômicos quantitativos, além de variáveis fisiológicas e bioquímicas, como viabilidade polínica, extravasamento de eletrólitos e atividade antioxidante. A análise de componentes principais e o índice de tolerância ao calor permitiram classificar os acessos quanto ao grau de termotolerância. O acesso BGC-UFPI 207 destacou-se como termotolerante, apresentando bom desempenho produtivo, baixo acúmulo de peróxido de hidrogênio, elevada atividade antioxidante, alta viabilidade polínica e características ornamentais satisfatórias. Os acessos BGC-UFPI 203 e BGC-UFPI 258 foram classificados como moderadamente tolerantes, enquanto BGC-UFPI 100, BGC-UFPI 224 e BGC-UFPI 257 foram considerados susceptíveis ao estresse térmico. Os resultados indicaram o acesso BGC-UFPI 207 como promissor para uso ornamental e como genitor em programas de melhoramento genético voltados ao desenvolvimento de cultivares termotolerantes. Esta dissertação contribui para preencher uma lacuna de conhecimentos sobre o tema no Brasil e oferece suportes teóricos e práticos para a seleção de genótipos de pimenteiras com potencial ornamental mais adaptados às altas temperaturas.