Os suínos nativos brasileiros constituem recursos genéticos de elevado valor zootécnico, social e econômico, historicamente mantidos em sistemas produtivos familiares de baixa tecnificação. Neste contexto, esta pesquisa teve como objetivo sintetizar o conhecimento sobre a origem, diversidade, caracterização fenotípica e importância dos suínos nativos brasileiros, bem como caracterizar fenotipicamente suínos nativos conhecidos como “Focinho de Garrafa” no estado do Piauí, por meio de descritores morfológicos qualitativos e quantitativos, visando subsidiar estratégias de conservação e uso sustentável desse recurso genético. O primeiro artigo teve como objetivo sintetizar o conhecimento sobre a origem, a domesticação e a diversidade dos suínos nativos brasileiros, abordando os processos históricos de formação e introdução no país, a diversidade de raças e grupos, com destaque para Moura, Piau, Canastra, Canastrão, Pirapitinga, Monteiro, Baixadeiro e Caruncho, os descritores, as análises multivariadas aplicadas à espécie e sua importância social e econômica. O estudo demonstrou que os suínos nativos apresentam elevada diversidade, resultante de processos históricos de adaptação, e exercem papel estratégico na agricultura familiar e na segurança alimentar. Entretanto, essas populações encontram-se sob risco de extinção. Persistem limitações, como a escassez de informações sobre algumas raças, a indefinição taxonômica e a aplicação ainda restrita de protocolos padronizados de caracterização. O segundo capítulo teve como objetivo caracterizar fenotipicamente e avaliar a estrutura morfológica dessa população, por meio da análise de variáveis morfológicas qualitativas e quantitativas, visando valorizar, preservar e promover o uso sustentável desse patrimônio genético. Foram avaliados 165 animais adultos, distribuídos em seis municípios, contemplando 16 descritores qualitativos e 18 quantitativos. As análises incluíram estatísticas descritivas, comparação entre sexos, análise discriminante linear e índices morfométricos, revelando significativa heterogeneidade. Detectou-se uma estruturação geográfica definida, indicando influência territorial no padrão corporal, e o comprimento do focinho apresentou comportamento modular relativamente independente. A heterogeneidade fenotípica observada reforça o valor zootécnico da população e subsidia estratégias de conservação, seleção e uso sustentável em sistemas de baixa tecnificação, nos quais características adaptativas conferem vantagens produtivas e econômicas.