Este trabalho tem como objetivo avaliar bioquimicamente uma protease obtida das folhas de ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata Mill.) e investigar seu potencial como aditivo em rações para frangos pescoço pelado. A pesquisa se insere no contexto da avicultura brasileira, em que os altos custos com alimentação, especialmente relacionados ao farelo de soja, representam um dos principais desafios produtivos. Nesse cenário, o uso de enzimas exógenas, como as proteases, surge como uma alternativa promissora para melhorar a digestibilidade dos nutrientes, reduzir custos e otimizar o desempenho zootécnico das aves. A ora-pro-nóbis, considerada uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), destaca-se pelo alto teor de proteínas, fibras, minerais e compostos bioativos, além de apresentar baixa toxicidade, rusticidade e fácil cultivo. Essas características tornam a planta uma fonte potencialmente viável e sustentável para obtenção de enzimas com aplicação na nutrição animal.Metodologicamente, o estudo envolveu a obtenção do extrato bruto das folhas da planta, seguido da determinação da atividade proteásica e da concentração de proteínas. A extração foi realizada utilizando diferentes soluções e tempos, sendo a solução de NaCl 0,15 M por 360 minutos a mais eficiente, apresentando maior atividade enzimática. Em seguida, a protease foi purificada por meio de sistema de duas fases aquosas (SDFA), utilizando polietilenoglicol (PEG) e fosfato de sódio, com base em um planejamento fatorial completo 2⁴. Foram avaliadas variáveis como massa molar do PEG, concentração de PEG, pH e concentração de sal, considerando como respostas o coeficiente de partição (K), recuperação (Y) e fator de purificação (FP).Os resultados demonstraram que a partição da enzima entre as fases depende da interação entre os fatores do sistema, especialmente da concentração de sal e da massa molar do PEG. A recuperação enzimática apresentou valores superiores a 100% em alguns ensaios, indicando possível remoção de inibidores presentes no extrato bruto. O ensaio considerado mais adequado para purificação foi aquele que utilizou PEG 8000, pH 6 e concentrações moderadas de PEG e sal, resultando no maior fator de purificação na fase sal.A caracterização bioquímica da protease incluiu a avaliação dos efeitos da temperatura, pH, íons metálicos e inibidores sobre sua atividade, visando determinar as condições ideais de funcionamento e estabilidade da enzima. Posteriormente, o extrato foi liofilizado para aplicação em rações experimentais.De forma geral, o estudo evidencia que a protease obtida da ora-pro-nóbis apresenta potencial significativo como aditivo enzimático na alimentação de frangos de corte. Sua aplicação pode contribuir para melhorar a digestibilidade das proteínas, reduzir os efeitos de fatores antinutricionais e aumentar a eficiência produtiva. Além disso, o uso dessa enzima representa uma alternativa sustentável e economicamente viável, agregando valor a uma planta ainda subexplorada e fortalecendo estratégias inovadoras na nutrição animal.