Este trabalho investiga, de forma integrada, os teores totais e a fração bioacessível de Mg, Mn, Cu, Fe e Zn em farinhas de mesocarpo e amêndoa de babaçu nas formas crua e assada, contribuindo para a compreensão do efeito da matriz alimentar e do processamento térmico sobre a disponibilidade mineral. As amostras foram caracterizadas quanto à composição centesimal e compostos fenólicos totais, sendo os elementos determinados por ICP-MS após digestão ácida assistida por micro-ondas. A bioacessibilidade foi avaliada por digestão gastrointestinal simulada in vitro. O mesocarpo apresentou elevado teor de carboidratos (~87%) e alta concentração de compostos fenólicos (5224,07 ± 34,95 mg EAG/100 g), enquanto a amêndoa exibiu perfil oleaginoso, com ~60% de lipídios e maior valor energético. As concentrações totais de Mg, Cu, Mn e Zn foram significativamente maiores na amêndoa, atingindo valores até 30 vezes superiores aos do mesocarpo para Mn, enquanto o Fe apresentou distribuição mais homogênea. O assamento promoveu variações moderadas (<30%) nas concentrações totais, atribuídas principalmente a efeitos de desidratação e alterações estruturais da matriz. Em contraste, a fração bioacessível evidenciou comportamento distinto, com maior bioacessibilidade de Mg no mesocarpo (~74%) em relação à amêndoa (~43–45%), e aumento da bioacessibilidade de Mn no mesocarpo após o assamento (~26% para ~44%). Para Cu, observou-se redução da bioacessibilidade após o processamento, especialmente na amêndoa (~34% para ~21%). O ferro apresentou bioacessibilidade limitada, sendo detectado apenas na amêndoa crua (~36%), enquanto o Zn não foi detectado na fração bioacessível, indicando forte retenção na matriz. A contribuição para ingestão diária recomendada baseada nos teores totais foi elevada para a amêndoa, especialmente para Mn e Cu, porém significativamente reduzida quando considerada a fração bioacessível. O balanço de massa confirmou a consistência analítica, com recuperações próximas de 100%, embora valores superiores indiquem possíveis limitações experimentais. Os resultados evidenciam que a concentração total não é um indicador adequado de valor nutricional, sendo a bioacessibilidade fortemente dependente da matriz alimentar e das interações com compostos fenólicos e outros constituintes. O estudo demonstra que o mesocarpo, apesar de menos concentrado, pode apresentar maior disponibilidade relativa de minerais, enquanto a amêndoa concentra maiores teores totais, porém com menor fração bioacessível para alguns elementos. Esses achados reforçam a importância de abordagens integradas na avaliação nutricional de alimentos vegetais e destacam o babaçu como matriz complexa, cujo potencial nutricional depende da interação entre composição química, estrutura e processamento.