Astronium urundeuva (Anacardiaceae), conhecida popularmente como aroeira-preta, de ocorrência nas regiões Nordeste, Centro Oeste e Sudeste, constitui um vasto reservatório de quimiotipos com relevância farmacológica. Este estudo investigou o perfil fitoquímico e o potencial biológico do extrato etanólico dos frutos de Astronium urundeuva (EEAU). A análise por CG-EM, precedida de derivatização, revelou uma matriz química composta por 18 constituintes, caracterizada por uma marcante predominância de lipídios fenólicos: cardanóis (58,61%) e ácidos anacádicos (24%). O EEAU exibiu expressivo conteúdo de compostos fenólicos totais (12,83 ± 0,31) e capacidade antioxidante dose-dependente. Nos ensaios biológicos, o extrato apresentou toxicidade aguda frente à Artemia salina e atividade citotóxica dose-dependente contra linhagens tumorais de adenocarcinoma de mama humano (MCF-7), carcinoma mamário murino (4T1) e melanoma (B16-F10), indicando seletividade em relação a fibroblastos não tumorais (L929). Estes resultados indicam potencial antineoplásico de A. urundeuva, sugerindo que seus frutos são fontes promissoras de moléculas bioativas com potencial para o desenvolvimento de novos agentes terapêuticos no tratamento do câncer.