A expansão urbana, materializada na proliferação de condomínios fechados, impõe alterações drásticas na paisagem e na biodiversidade local, moldando novas formas de interação entre o ser humano e a biota. Nesta dissertação, objetivamos caracterizar de forma aproximada a composição florística, a conformidade paisagística e a percepção etnoentomológica dos moradores do condomínio Aldebaran Ville, localizado na zona de expansão urbana de Teresina, Piauí. A metodologia adotada integrou abordagens qualitativas e quantitativas em três etapas distintas. Inicialmente, realizamos uma listagem florística em todas as áreas verdes comuns como praças, canteiros centrais e ilhas, com identificação aproximada e classificação quanto à origem fitogeográfica baseado nos dados do Reflora. Simultaneamente, investigamos a percepção ambiental e etnoentomológica por meio da aplicação de 147 questionários semiestruturados a moradores adultos, definidos por amostragem probabilística. A análise dos dados combinou estatística descritiva para o inventário biológico e a Análise de Conteúdo de Bardin, suportada pelo processamento léxico e de similitude no software Iramuteq, para os dados de percepção. Os resultados do inventário registraram 76 espécies distribuídas em 34 famílias botânicas, evidenciando uma predominância massiva de espécies exóticas (75%), com destaque para a Azadirachta indica (neem) e Mangifera indica (manga), revelando um padrão de homogeneização paisagística que negligencia a flora nativa do ecótono Cerrado/Caatinga. No tocante à percepção das áreas verdes, observamos que, embora 96,6% dos moradores valorizem esteticamente o paisagismo, existe uma demanda reprimida e insatisfeita por conforto térmico por sombreamento e serviços ecossistêmicos como o de árvores frutíferas, indicando falhas no planejamento funcional. No âmbito etnoentomológico, identificamos uma relação conflituosa e utilitarista com a fauna de insetos: os moradores associam majoritariamente esses animais a sentimentos de "nojo" e "medo", categorizando-os quase exclusivamente como vetores ou pragas, o que motiva o uso intensivo de controle químico. Conclui-se que o modelo de ocupação analisado reproduz uma desconexão ecológica, onde o paisagismo ornamental exótico coexiste com uma intolerância à fauna local, demandando a implementação de projetos de paisagismo sustentável e estratégias de educação ambiental que promovam uma integração mais harmônica entre o morador e a biodiversidade regional.